Universos Assimétricos

O ninho do Mal

11.11.09

À letra 


Vejam o que eu encontrei hoje!

Deuteronómio (6, 10-12)

10 E quando o Senhor, teu Deus, te tiver introduzido na terra que ele prometeu, com juramento, a teus pais, Abraão, Isaac e Jacob, e te tiver dado grandes e excelentes cidades, que tu não edificaste,
11 Casas cheias de toda a sorte de bens que não fabricaste, cisternas que não abriste, vinhas e olivais que não plantaste,
12 E comeres, e te fartares,


[não te esqueças do Senhor, que te tirou da terra do Egipto]

Deuteronómio (7, 1-2)

1 Quando o Senhor, teu Deus, te tiver introduzido na terra, que vais possuir, e tiver exterminado à tua vista muitas nações (…),
2 (…) tu as passarás a cutelo, sem que fique nem um só. Não celebrarás concerto algum com elas, nem as tratarás com compaixão,


Estes extractos são esclarecedores de que tipo de ideologia é feita a Bíblia e o seu equivalente político, o sionismo: pilhagem e matança.
Não há dúvida que Israel tem feito jus à letra das palavras da Bíblia, mostrando que tipo de gente está à frente daquele Estado artificial.

Melhor fora que os bem pensantes, em vez de azucrinarem os ouvidos de Saramago, enviassem ao Estado de Israel as suas teorias sobre a inadequação de fazer leituras literais do texto bíblico.

posted by perplexo  # 23:32

10.11.09

Best of... Novembro de 2008 


Museu do Neo-realismo – V. F. de Xira



O Neo-realismo foi uma corrente artística (literatura, pintura, música, cinema), mais dinâmica em Portugal nos anos 30-50 do século XX, que, com inspiração maioritariamente marxista, defendia um predomínio do conteúdo da mensagem sobre a forma da obra de arte, que se advogava consciencializadora social, e transformadora necessária da sociedade.

Esta casa, este museu, acolhe a memória de muitos dos que, no desajustamento entre a sociedade de então e o mundo ambicionado, estabeleceram, cada um à sua maneira, com os processos e os métodos que lhes eram próprios, uma teoria de conjunto da injustiça social. – Baptista Bastos.

Admiro aqueles que dominam o manejo das palavras e conseguem, com económico uso delas, transmitir sínteses de amplos e profundos significados.

31.10.09

Quitoso, precisa-se 


O que mais me chocou nesta burla das sucatas não foi tanto o roubo da coisa pública – no fundo, já estamos habituados; foi a tentativa de remover um tipo dum cargo, porque ele não alinhava na marosca. Isto, sim, choca-me. Há gajos dispostos a lixar a vida de outro por dinheiro. Daqui ao assassinato não falta muito.

Nas crises, há sempre uns espertos a tentarem ferrar a unha a fundo, disfarçadamente, com caras de sonsos, cosidos nas reentrâncias dos escândalos, como piolhos na cova do ladrão. Este episódio dos ratoneiros das sucatas (Vara, Penedos e quejandos) revelou um deles. Concretamente, refiro-me ao Carrapatoso que, prenhe de eficiência, vem anunciar que a solução é ter menos Estado. Isto é, para o hipermercado deixar de sofrer o ataque da pequena ladroagem deve entregar o negócio a outros. Caso resolvido!
É preciso ter muita lata! Quitoso, precisa-se.

30.10.09

Princípios? Nunca ouvi falar 


Ontem vi, pela segunda vez, um pedaço de um debate com o Emídio Rangel, a Joana Amaral Dias, outro comentador e um moderador. Apercebi-me que o Emídio Rangel está completamente reaccionário acerca de tudo. E de uma grande desonestidade argumentativa. Sobre as manifestações de professores, perguntou à JAD:
– Esteve lá? E, quantos amigos levou?
Isto é, está a sugerir que os professores, apesar dos graves ataques de que se sentiam alvos, não tinham ido às manifestações; que, provavelmente, as dezenas de milhares de manifestantes que lá estiveram foram os amigos dos activistas, e que nem sequer são professores.
De desonestidade, já sabíamos o que a casa gasta: quando estava à frente da Informação da SIC, dava, por exemplo, as projecções dos resultados das eleições uma hora antes do que era legal. E, do cimo da sua arrogância de todo-poderoso, respondia que pagava a multa.
Isto é, a ética é uma disciplina da filosofia que não se aplica às peripécias da vida dos videirinhos.

Comments:
Como dizia o outro: "Só espanta quem não está habituado!"
 
Enviar um comentário

26.10.09

Best of... Outubro de 2008 


Os capatazes da razia

Uma das perguntas feitas aos dois candidatos à presidência dos Estados Unidos, no debate conjunto de ontem, foi:
– Devem os Estados Unidos respeitar a soberania do Paquistão, ou ignorá-la para perseguir a Al-Qaeda?

Os pressupostos da pergunta já são assustadores: põem a hipótese de ignorar a soberania de um país que tem sido um aliado; admitem perseguir um grupo guerrilheiro dentro de um país, sem o seu consentimento; fazem a pergunta, como se não fosse uma aberração das relações internacionais fazê-la.

Todos sabemos que essa é a atitude que têm tido ao longo das últimas dezenas de anos para com os outros países: – menosprezar-lhes a soberania, ameaçá-los, invadi-los. Mas fico com a impressão que, antes, a maior parte das vezes, faziam-no fingindo respeitá-los; faziam-no pela calada, através de serviços secretos de sabotagem e unidades de acção rápida; agora, assumem invadir, como se fosse natural, tão natural que fazem essa pergunta aos candidatos. Como lhes é natural terem invadido o Iraque.

O mundo ganhava em conseguir livrar-se desta ameaça permanente e mortífera.

23.10.09

Olha a novidade! 


Saramago disse que o deus da Bíblia é vingativo, cruel, rancoroso, má pessoa.
Olha a novidade! Há mais de 30 anos que eu digo isso, desde que li o Pentateuco, essas irrisórias 200 páginas. E mais: mesquinho, parcial, sobranceiro, volúvel, cheio de todos os defeitos humanos. Pudera, é um deus idealizado por pastores. Não se esperava que tivessem concebido um deus provido de subtilezas diplomáticas.

Os vários estratos de ignorantes mostram-se muito chocados, porque nunca leram essas primeiras 200 páginas da Bíblia, e não sabem que o deus que lá está escarrapachado é tal e qual como diz Saramago. Os estúpidos vão mais longe e querem ostracizar o escritor. A estupidez sempre foi auto-demonstrativa.

Eu acho que já era tempo de que os que sentem necessidade de imaginar uma entidade toda-poderosa, a quem possam apelar para os beneficiar em relação aos seus semelhantes, criem um deus português, de brandos costumes, pronto a aceitar uma cunha, a fazer um jeitinho, a fechar os olhos a uma pequena sacanice. Nada daquela violência bombardeadora de cidades. Temos bons e suaves criadores, não precisamos de importar produto hardcore estrangeiro.

O problema é que as pessoas querem (precisam de) acreditar que há deuses e que a Bíblia fala de deuses realmente existentes. E fazem finca-pé de que o que lá está escrito responde a todas as questões que se põem ao Homem. Nos retardados Estados Unidos, há legiões de cretinos a querer impor a tese da Criação exposta na Bíblia, tentando calar o ensino do Evolucionismo. E algumas seitas tentam encontrar em cada passo do dito texto previsões para o futuro.

Há tempos fui sujeito a um vídeo penoso que tentava provar que a Bíblia estava repleta de relatos científicos onde, por exemplo, no relato de Jonas e da baleia, se fala já de submarinos e montanhas submarinas. E outros exemplos fatigantes. Senti-me então compelido a descrever o que é a ciência exposta na Bíblia. E relatei o método genético usado por Jacob, ao negociar a divisão dos rebanhos com o sogro.
Como ele ficaria com os borregos que nascessem malhados, e o sogro com os de uma só cor, espetou, junto aos bebedouros do gado, umas varas verdes a que retirou espirais de casca, para que as ovelhas, ao serem emprenhadas a olhar para as varas de duas cores, concebessem borregos malhados. É esta a explicação genética na Bíblia, uma explicação concebida por pastores. E as outras explicações são, compreensivelmente, também condizentes com o modo de vida dos que geraram as tradições orais fundadoras.

Fizeram o melhor que imaginaram. Mas não são culpados de que os remotos descendentes sejam tão limitados e acreditem que lá porque antigos pastores falaram de deuses, estes existam na realidade.

Comments:
Cinco estrelas para este texto, se sobre divindades se pode falar em estrelas e não apenas no fruto de uma árduo dia de trabalho.
Mas, merecedor de seis estrelas, senão mesmo de toda uma galáxia, é o terceiro parágrafo!
Parabéns!
 
Enviar um comentário

10.10.09

O prémio antes da prova 


A habitual comissão do Parlamento norueguês atribuiu o Nobel da Paz a Obama, o chefe da nação que administra pelo menos duas guerras e se prepara para outra. Isto, porque DIZ que quer diminuir os arsenais nucleares. Até ele ficou estupefacto.
Será que a enorme fome de Paz dos homens pacíficos é que levou a que se louve o carrasco só porque DIZ que vai amainar as agressões? «Não mate mais gente, que nós proclamamo-lo o defensor da Paz!»
Será mais um voto que um prémio por obra feita, certo?
Comissão, tenho uma frase para vós: não sejam ridículos; premeiem os que, verdadeiramente, praticam a Paz, ano após ano, incansavelmente.
Há milhares de excelentes candidatos dentro desta premissa.

30.9.09

Best of... Setembro de 2008 


Um som terrível no escuro

Nesse Setembro de 75, dois jovens portugueses, colegas de profissão, aproveitavam as férias e um Dyane comprado há pouco para espraiarem a liberdade por paragens além-fronteiras. Levavam uma tenda canadiana e acampavam onde calhava. Viajavam ao sabor dos acontecimentos, confiados nas benevolências do acaso.

Em Vitória, já país basco, a notícia do dia era a morte de mais um «carabinero». Pressentindo a morte iminente de Franco, os separatistas da ETA intensificavam o número de atentados.

Petiscaram num bar e voltaram à estrada procurando um local para acampar. Uns quilómetros à frente, encontraram um terreno plano ao lado da estrada e entraram. Ainda de faróis acesos e motor a trabalhar, foram rapidamente cercados por vários guardas que iam a passar em dois jipes. Tentaram explicar-se em espanhol, mas, ou porque falassem suficientemente bem a língua, ou porque a matrícula começava pelas mesmas letras que as de Burgos, ou pela ideia apetecível aos militares de que tinham apanhado dois terroristas, não estava a ser fácil convencê-los da origem lisboeta dos intrusos.

Nisto, chegaram mais guardas comandados por um graduado. Estes, nem dúvidas tiveram. Ao verem aquele aparato, saltaram dos jipes em atitude de grande sanha bélica e, sem darem tempo a qualquer explicação, gritaram que os suspeitos saíssem do carro. Tensos. Os jovens saíram, ofuscados pela luz forte dos faróis, para logo ouvirem ordens de «manos en el aire!», quase abafadas pelo matraquear metálico de muitas culatras puxadas atrás.

Quem vos conta isto levantou as mãos lentamente, virou-se e apoiou-as no carro, rodando o rosto para o lado contrário ao dos guardas, para que nem o olhar pudesse fornecer qualquer pretexto ao nervosismo revanchista dos carabineiros. Durante uma eternidade de segundos, esperou ser trespassado, se não por um sem-número de balas à queima-roupa, com certeza por aquela que só obedece ao diabo e que é disparada até pelas espingardas descarregadas.

25.9.09

Não é agora, mas… 


É bizarro que os Portugueses continuem a entregar o poder aos mesmos partidos, eleição após eleição, e, governo após governo, sejam desapossados de poder de compra, direitos laborais e de cidadania, se lamentem, mas continuem a votar nos mesmos, década após década. E, no entanto, existem partidos alternativos realmente honestos e trabalhadores, que há décadas se esforçam na defesa dos desapossados, mas que são mantidos afastados da governação por preconceitos idiotas e propaganda maldosa.

Os partidos de Novembro têm entregue os sectores produtivos aos interesses de poucos, muitos deles estrangeiros. As grandes empresas que dantes eram públicas, agora são inimigas dos cidadãos, esganando-os a favor dos accionistas. Os bancos, essas entidades inúteis, sugam os proventos dos nossos compatriotas, com o encorajamento dos tais partidos de Novembro que se mantêm indefinidamente na governação. É mais do que tempo de os substituir por partidos de Abril, que ponham os sectores produtivos e/ou estratégicos ao serviço do nosso país e dos seus cidadãos e não só dos accionistas estrangeiros.

É mais do que tempo, sim, mas sei que, mais uma vez, vamos ter que gramar com os testas-de-ferro do capital sem pátria, não com o meu voto, mas com o da inércia das mentalidades. O meu voto servirá para – imperceptível mas inequivocamente – empurrar os partidos de Novembro para o redil histórico dos desumanizados.

10.9.09

As boas opções 


Há anos, foi surpreendente saber que algumas autarquias algarvias estavam a fazer acordos com o sistema de saúde de Cuba para que os seus munícipes com necessidades de tratamento oftalmológico aí fossem tratados, já que o nosso sistema de saúde não dava resposta. Há dias, tomei conhecimento que esse fluxo de doentes era contínuo, pelo que algumas autarquias estavam a renovar os acordos anteriores.
Isto é, um país que há quase 50 anos é vítima de um embargo criminoso por parte dos Estados Unidos, não só tem sobrevivido como se vai mostrando pujante nas áreas necessárias às pessoas.
Ali bem perto, os Estados Unidos investem biliões em guerras de extermínio de outros povos, enquanto deixam 50 milhões dos seus cidadãos sem qualquer acesso a cuidados de saúde, coisa que o Obama anda a tentar alterar, mas que lhe está a dar «água pela barba». Os seus concidadãos preferem gastar o dinheiro a guerrear os outros povos. Aquilo é um país totalmente alienado.
Eu, e muitos outros, ficamos deslumbrados com os efeitos especiais de muitos filmes que nos chegam de Hollywood, mas na hora das necessidades de saúde, que rumo preferíamos que o sistema político tivesse tomado: o do entretenimento ou o do esforço?; o da propaganda sem conteúdo ou o do trabalho humilde em prol das pessoas?

31.8.09

Best of… Agosto de 2008 


Propaganda

Quando se está num hotel e não se tem acesso a um canal independente, temos que nos conformar com a CNN. Mas, em geral, é uma experiência humilhante. Como aconteceu há dias comigo. Enquanto a estação passava repetições sucessivas dos sucessos dos atletas americanos nos Jogos Olímpicos de Pequim, ignorando a maior parte dos outros, li as seguintes duas notícias sucessivas em rodapé. Cito de cor, com parêntesis meus:

As irmãs Williams [americanas] saíram da competição individual [ténis individual feminino];
Blake [americano] esmagou Federer [ténis individual masculino].

Isto é, quer as manas, quer Federer, todos bem cotados, perderam e foram afastados da luta pelos primeiros lugares, mas a estação optou por usar construções frásicas com cargas simbólicas diferentes, desvalorizando a derrota das tenistas americanas e sobrevalorizando a derrota de Federer às mãos de um tenista americano.
Muitos tenderão a desculpar a estação, atribuindo a atitude caseira e tendenciosa a um compreensível bairrismo. Para mim, não há eufemismo que mascare a verdadeira natureza desta falta de rigor – propaganda.

P.S. (31/8/09): Nessa altura, o meu amigo Luís Bonifácio do blog Nova Floresta comentou o seguinte:

«Sinceramente não sei o que isso tem de anormal.
O mesmo se passa em Portugal, Espanha, França,... Zimbabwé.
Estranho, Estranho era não o fazerem.»


Esta é uma das atitudes que eu condeno, em relação aos poderosos, aos troca-tintas, aos corruptos – desculpá-los, só porque os comportamentos anti-éticos nessas categorias são permanentes e já calejaram alguns.
O comportamento parcial é anormal e inaceitável em qualquer estação televisiva. Estranho é que o tenham. Por isso, prefiro ver uma estação regional, desde que tente fazer um trabalho honesto, do que um conceituado gigante das notícias, mas que se revela uma lança americana na minha inteligência.

27.8.09

10 milhões de pinhões 


No meio de muitos problemas, uma boa notícia: Anselm Kiefer, um artista plástico de excepcional qualidade, vai fixar-se em Portugal, na zona da Comporta, e criar um centro cultural e turístico, numa extensa herdade. Não que ele resolva qualquer problema, muito menos os económicos, mas é confortante, culturalmente, saber que um Kiefer está por perto. Pode ser que ele produza um «10 milhões de pinhões» – uma versão portuguesa, inspirada na região, do seu «60 milhões de ervilhas»: interpretação plástica dos 60 milhões de alemães.

17.8.09

SEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIS 


Comecei este blog há 6 anos. Comecei-o para manifestar, a quem quisesse ler, os meus protesto e repúdio pela invasão gratuita e criminosa do Iraque.
Seis anos depois, esse furúnculo humano que dá pelo nome de Bush saiu de cena,não sem antes ter matado mais de um milhão de seres humanos. A sua linha perdeu para outra - a de Obama - que implicitamente a denunciava. Posto hoje com o coração cheio de orgulho por essa derrota do tirano.
A História já começou a condená-lo, coisa que os tribunais ainda não se atrevem a fazer. Ainda falta muito para que indivíduos como este sejam liminarmente impedidos de praticar actos de extermínio, como os que ele praticou - o país da guerra tem setecentas bases militares em cento e cinquenta países do mundo - por isso, este blog continua. Por isso, e para postar algumas das minhas utopias.

Comments:
Atrasado mas não podia faltar para dar os parabéns a um colega da mesma idade.
Abraço
 
:) Parabéns ao Perplexo e aos seus universos!
Venham mais... 6 e outros a seguir!
Abraço!
Peludo e Azul
 
Obrigado, amigos. Bloguisticamente, somos todos da mesma geração!
 
Enviar um comentário

13.8.09

Rasteiros, não! 


Dia 9 passado, fez anos que os americanos lançaram a segunda bomba atómica sobre o Japão. A primeira tinha sido três dias antes, sobre a cidade de Hiroxima.
Num noticiário da RTP 2, deste dia 9, a jornalista pivot e a responsável pela peça usaram duma série de eufemismos para encobrir os autores do massacre. Usaram subterfúgios tão ridículos como «Passados três dias caía a segunda bomba, desta vez sobre a cidade de Nagasaqui». Parecia que estavam a falar de uma catástrofe natural cujos responsáveis fossem os «irresponsáveis» elementos - uma espécie de meteorito atómico. Em nenhum momento, da sua boca saiu a verdade completa, em nenhum momento referiram sequer quem tinha desencadeado a mortandade - os do costume.

É cobarde, é obsceno, é rasteiro. Talvez salvem o emprego, mas estão muito enganadas se esperam ter o nosso respeito e a nossa compreensão. Precisamos de informação isenta. Rasteiros, não!

31.7.09

Best of... Julho de 2008 


Problemas de imagem

Há duas semanas, houve confrontos armados, num bairro social da periferia de Lisboa, entre um grupo que se reclama de «ciganos» e outro, identificado como «negros». A comunidade cigana, na sequência desses confrontos, abandonou as casas e o bairro, pretextando insegurança.
Algumas pessoas terão esboçado um sorriso, habituadas que estão a testemunharem situações de afrontamento de populações pacíficas, por grupos dessa comunidade, com a maior impunidade, como aconteceu em Coruche. Parece que, desta vez, experimentaram do seu próprio veneno. As pessoas mais sensatas vêem, com preocupação, este estalar de um conflito «étnico», modernice que bem dispensávamos em Portugal.

Neste processo, os «ciganos» têm estado a perder a batalha da imagem, perante o resto da população portuguesa. Exigem ser mudados para outro bairro, com a mesma arrogância com que costumam exigir uma casa. As casas, onde têm vivido, foram-lhes cedidas por rendas de 5 euros ou pouco mais, mas nem isso têm pago. Há quem nunca tenha pago, nestes 10 ou 12 anos de uso da casa, e deva 8000 euros. A Câmara tem a haver (do total dos arrendatários da Quinta da Fonte) um milhão e quatrocentos mil euros.
Um elemento «cigano» mostrava, há dias, a casa assaltada e enumerava o que lhe tinham levado: plasma, Play-station, etc. As notícias revelam carrinhas e carros novos «de 30.000 euros», estacionados num bairro onde 90% da população activa recebe o «rendimento social de inserção».

Este viver é, para muito boa gente, um viver «à grande» que os humilha. Custa-lhes pagar as prestações da casa, que foram obrigados a comprar, custa-lhes não poder comprar equipamentos das gamas que ouvem referir. E custa-lhes ouvir, ainda assim, exigências de mudança de bairro e, até, sugestões de instalação no centro das cidades, em vez do habitual «escorraçamento» para as periferias.

Tem corrido mal, para a imagem dos «ciganos» e, por generalização, para as outras pessoas que recorrem ao apoio social para a questão da habitação, este excesso de reivindicação e a exibição impúdica de bens e equipamentos pouco esperados em deserdados da vida.

23.7.09

Concurso de Poesia e Concurso de Contos 2009 - pub. 




É a terceira vez que o site «Ora, Vejamos...» organiza concursos literários com subsequente publicação em livro. As edições de 2007 e de 2008 correram muito bem.

Este ano a incrição é paga, mas já dá direito ao livro a publicar. Eis as regras:

• Os contos e poemas são em Português, podendo concorrer pessoas de qualquer nacionalidade ou a partir de qualquer país.
• Cada concorrente pode enviar 3 poemas ou 3 contos, respectivamente. Os poemas terão entre 14 e 80 versos e os contos terão entre 900 e 5000 palavras, cada.
• A inscrição é onerosa, servindo a quota de inscrição (15 euro) para financiar a edição dos livros dos concursos.
• O 1.º premiado receberá 50 exemplares do livro, o 2.º premiado recebe 25 e o 3.º recebe 15. Todos os restantes concorrentes recebem 1 exemplar.

16.7.09

Visita guiada 



Apesar de a Constituição proibir organizações que perfilhem ideologias fascistas, acho que deve ser dado um desconto às declarações de João Jardim, como líder de um partido de Novembro, e permitir-lhe explanar o seu conceito de sociedade, o que, à falta do Estado Novo, pode ser uma revisita muito pedagógica, por ser feita por alguém com reconhecidas provas dadas.

11.7.09

Quem determina as decisões económicas? 



Pouco depois das eleições – quando queria ter feito este post – o Governo veio dizer que não põe um euro no BPP.
Acho muito bem. O nosso dinheiro não deve ser atirado para sorvedouros privados. Como nunca devia ter sido atirado para o sorvedouro do BPN. O Estado já lá meteu 2500 milhões de euros – quantia difícil de imaginar. A serem gastos, que o sejam em investimentos públicos pertinentes.

A discrepância de atitude em relação a estes dois vazadouros faz suspeitar que houve interesses não declarados em salvar o BPN. Faz suspeitar que se cedeu a pressões de forças poderosas que estavam a ver o seu dinheirinho a volatilizar-se. Há um mês, eu tinha querido acabar assim: agora há que esperar que a comunicação social faça o seu trabalho de investigação e nos desvende quais são essas forças.
Na altura, suspeitei da Igreja. Não andei longe. Hoje soube que o terceiro maior depositante da SLN – holding do BPN – é uma irmandade de freiras de Fátima...

10.7.09

Eleição fraudulenta na AR? 



Hoje, foi eleito, como Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa.
Na Visão de há uma semana – altura em que pensava fazer este post – indicava ele o conflito do Irão como uma das recentes más notícias, dizendo assim: «O conflito político, social e religioso decorrente das eleições presidenciais fraudulentas no Irão, que pode complicar ainda mais a paz tão desejada do Médio Oriente e agravar a recessão económica mundial».

Pela maneira como fala – classificando de fraudulentas as eleições no Irão – parece ser possuidor de informação privilegiada, que mais ninguém possui. A não ser que se esteja a limitar a ser porta-voz dos desejos ocidentais para quem, como constatamos constantemente, são fraudulentas todas as eleições cujos candidatos pró-americanos não vençam. Não sei se manifestar este alinhamento é a atitude mais prudente num, então, candidato a uma função de estado que, com certeza, deve exigir maior independência.

28.6.09

Best of… Junho de 2008 


Eu também sou um grande mentiroso!

Os leitores estão sempre dispostos a acreditar que as narrativas mais intimistas são, sobretudo, peripécias autobiográficas dos autores. O que não passa, geralmente, de um engano de leitores que não escrevem. É certo que, às vezes, o escritor também faz a catarse da sua vida, nas páginas que escreve. Mas sempre muito misturada com episódios que nunca viveu. Mente. Para tornar a história mais interessante. O escritor goza desse privilégio de viver outras vidas, outras peripécias de vida. Senta-se, não só para escrever, mas também para viver as vidas inventadas.

«Um dos princípios da criação literária é a invenção, a imaginação. Somos mentirosos; todo o escritor que cria é um mentiroso, a literatura é mentira; dessa mentira, porém, sai uma recriação da realidade: recriar a realidade é, assim, um dos princípios fundamentais da criação» – Juan Rulfo (1918-1986).

Escrever, sei-o agora, é essa liberdade de mentir que o cidadão comum não tem. O cidadão é alvo de uma enorme censura social sobre a veracidade das suas afirmações. O mentiroso é votado ao desprezo.
Um escritor, pelo contrário, não só «está autorizado a mentir», como as suas mentiras são alvo de elogios, por parte de críticos e leitores, tanto maiores quanto maior for o tamanho da mentira, a que também chamam criatividade.
É curioso! É libertador! É muito motivante!



De entre os comentários de então, destaco o de mcorreia:

e falta dizer, perdoa se acrescento, que é assustador esse modo de a gente mentir
eu explico:
por qual motivo aparece escrita uma história que tu não viveste, nem ouviste contada do vizinho, nem, ao que lembres, leste?
ela ali está viva, sangrando, doendo como se fosse coisa nossa: cada criatura saindo sei lá de onde sem que a tenha engendrado de modo consciente: esta é uma fada, aquela um duende, tudo coisa aldrabada porque eu quero – e depois o tipo do barco casa com a criada do andar de cima
não é nada disto, entendes? é como se tivesses um andar de baixo, uma outra vida cheia de muita gente que, se lhes dás oportunidade, saltam por aí à toa (nem sempre, mas no caso de quem escreve e depois já nem sabe passar sem esse modo de estar)
não é bem recriar a vida
nem será decerto pôr mentiras
é deixar ser-se correia de transmissão: é mais isso o que se dá comigo e, sabes que de vez em quando, dá-me um certo receio, quase medo

exagero de dedo soltado em escrita, mas anda lá por perto rsss


Comments:
eu escrevi isso?! mas sim sim é o que penso do acto de escrever - uma dor, um medo, uma vida dentro de outra vida como se fossemos desenterradores de..passados, futuros? ou então criadores o que é ainda mais assustador
 
Enviar um comentário

18.6.09

Best of... Maio de 2008 


Iconografia agilizada



Os 3 pastorinhos ajoelhados perante o Coração de Jesus que lhes apareceu em cima duma azinheira? Pois, porque não? Podia ter sido Ele, não podia? A imagem da Sra. de Fátima foi precisa para o mês de Maria e não se ia deixar o pedestal vazio, não é ?!

E, para o mês que vem, quando for a festa de S. Sebastião e o santo for para o andor, ponham lá no seu altar, rodeado de archeiros, um Cristo crucificado. Também está preso a um madeiro e se não andaram à frechada a Ele foi porque não se lembraram!


13.6.09

Best of... Abril de 2008 


Dedução

Eu sou um espírito curioso e estou sempre atento a pistas que possam desvendar-me o funcionamento do Mundo. De maneira científica, ainda que por provas indirectas, analiso indícios e elaboro teorias que os harmonizem e me forneçam um conhecimento mais alargado.
Exemplificando: Descobri que está muito difundida, quase generalizada, a prática de usar o telemóvel em modo de alta-voz. E como é que eu descobri? Tive acesso directo à experiência de ver as pessoas a usar o aparelho em alta-voz? Não. Apenas tive acesso à utilização vulgar e pública dos ditos aparelhinhos. Continuamente ouço as pessoas a dizer para o aparelho: «O que é que dissestes agora?» «Fostes lá?» «Vistes a minha prima?» «Quanto é que pagastes?» e outras frases semelhantes com o verbo na segunda pessoa do plural. Ora o que é que isto prova? Que o falante está a conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, senão usava o singular. E portanto… do outro lado estão a utilizar o telemóvel… em alta-voz!
Brilhante, não é?

8.6.09

Eleições – Junho, 2009 



Já não tinha uma alegria eleitoral assim, há mais de 30 anos. Geralmente, estou do lado dos perdedores. O que não tem nada que ver com falta de razão. Hoje, estou do lado dos vencedores, e dos que têm razão. É uma conjunção rara.

Além disso, a reacção dos perdedores vem acrescentar uma nota de gozo extra:
O salazarento da Madeira apareceu com ar crispado a falar da preocupação que representam (para ele) os mais de 20% das duas «forças comunistas». Se ele soubesse o prazer que dá a, pelo menos, 750.000 portugueses ouvi-lo e vê-lo chateado, ficaria caladinho.
Outro bronco esperto que gostei de ouvir foi o Paulinho Rumsfeld Portas a falar da estranheza de forças «de extrema-esquerda» estarem à frente da «democracia cristã» no século XXI. Deve achar que não é a ideologia dele que vem do fundo dos tempos desumanos.

É muito deleite para um dia só.

26.5.09

Marinho Pinto – um cidadão admirável 


Esta é a parte final da entrevista que deu a Manuela Moura Guedes, onde, mais uma vez, provou que não tem papas na língua: http://videos.sapo.pt/w1DwtzhPH7LzHw3yUFq5

As outras três partes anteriores também são interessantes, especialmente a primeira, onde se faz um historial das denúncias que Marinho Pinto tem vindo a fazer da podridão nacional.

Primeira parte: http://videos.sapo.pt/1HQ7s8bUK3sbr5OhgmtG

Segunda parte: http://videos.sapo.pt/7FWCeEKUI7e0zEZGjg38

Terceira parte: http://videos.sapo.pt/UnCCFv4AfzUd4HF9bgUJ

24.5.09

Bi quê? 


Passei uns dias num hotel no Algarve. Hotel com bom aspecto, todo remodelado, casas de banho a estrear… Mas, sem bidé! Numa pesquisa sumária, apercebi-me que a maioria dos hotéis mais recentes não instala bidés nas casas de banho… Segundo me disseram, é de uso pouco comum nos países anglófonos.

Bizarro. Inesperado. Surpreendente. Como é que eles fazem quando vão à casa de banho produzir um resíduo mais sólido? Limpam-se com papel higiénico e toca a andar? Não se lavam? Não acredito que se metam debaixo do duche, cada vez que deviam usar o bidé!

De repente, passo a olhar com algum nojo todos aqueles reluzentes cavalheiros estrangeiros e todas as suas luminosas senhoras que se exibem majestosamente no passeio costeiro. Imagino uma longa série de rabos por lavar, disfarçados à custa de perfume.
Eu não precisava desta imagem!

19.5.09

Odi–acho 


É histórico que a abadessa do convento de Odivelas, madre Paula, era amante de D. João V, de quem teve vários filhos. Tenho ouvido, ao longo dos anos, atribuir a origem do topónimo Odivelas aos ciúmes da mulher de um rei que teria dito ao marido, agastada, «Ide vê-las!». Ao iniciar este post, pensei que se referiam a D. João V, mas, afinal, é a D. Dinis que a lenda atribui umas escapadelas à zona de Odivelas para se encontrar com raparigas.

Sempre achei que esta atribuição toponímica era uma história mal contada, fundada, quase só, numa candura de observação de similitude ortográfica e fónica. Sempre reparei no prefixo «odi» ou «ode» na composição de vários topónimos do sul do país: Odeceixe; Odeleite; Odelouca; Odemira; Odivelas; Odiáxere. Parecia-me coincidência a mais e, ou me lembrava de alguma referência de quando fui a Marrocos, ou de algo que lera, pois que sempre suspeitei que este prefixo fosse uma permanência linguística do árabe na toponímia nacional, sempre em localidades próximas de um curso de água.

Com efeito, neste momento, ao pesquisar «a lenda de Ide vê-las», encontrei no site da Câmara de Odivelas a confirmação, que era só o que me faltava:
«Os filólogos dão porém, outra explicação: a palavra compõe-se de dois elementos: "Odi" e "Velas". A primeira é de origem árabe e significa "curso de água". A segunda é de origem latina e refere-se às velas dos moinhos de vento, que existiram nos outeiros próximos e dos quais podemos ainda ver vestígios. O curso de água ainda se mantém hoje.»

Fico reconfortado por ser confirmado com a parte árabe – a principal questão; torço o nariz às «velas». Não é a sobreposição com palavras actuais que me convence, antes pelo contrário. Não me parece que na Odivelas próxima de Ferreira do Alentejo houvesse condições orográficas e anemográficas para incentivar uma proliferação de moinhos de vento. Mas, aclarar essa questão fica para depois.

Comments:
As lendas são importantes e a sua verdade histórica é uma coisa de somenos importância. Sempre é melhor a lenda lembrar os amores ilícitos de um rei que uma conjugação de topónimos que no caso de Odivelas, as velas nunca seriam de moinho porque este tem "Aspas" e não "Velas.

O Topónimo "Odi" e "Guad" provém do Árabe "Oued" (Rio, curso de água), pelo que Guadiana era Oued Iana, Guadalquivir, Oued Al-Kebir e os topónimos alentejanos Odi seria Oued, seguido do nome, o qual deve ter sido aportuguesado ao longo dos tempos.
 
Magnífica explicação, Luís! Obrigado.
 
E só depois de pesquisar «aspas de moinho» - por estranhar o que dizias - é que percebi que as velas do moinho se chamam aspas.
Sempre a aprender...
 
Enviar um comentário

17.5.09

Entertainer 



Barack Obama, como era previsível, está a ser uma grande decepção. Mantém-se a matar no Iraque e no Afeganistão, avança no Paquistão, mantém o apoio ao regime genocida de Israel, mantém os julgamentos marciais em Guantánamo, impede a divulgação das torturas da CIA, enfim, um pseudo.

Há dias, deu um jantar a jornalistas, onde fez uma figura penosa. Quis fazer piada, riu-se das próprias graçolas, iludido com o falso êxito das palmas, foi impertinente a chamar «Pirata das Caraíbas» a Hugo Chávez. É indigno!

O mundo não precisa de um cómico à frente dum país tão perigoso como os Estados Unidos. Milhões de pessoas acreditaram que este presidente podia fazer a diferença. Milhões de pessoas vão perceber, mais tarde ou mais cedo, que tudo continua na mesma, na maior parte das agressões. E vão sentir-se muito magoadas ao ver na televisão, a dizer graçolas, o indivíduo que parecia que tomava o sofrimento humano a sério. O mundo precisa de alguém que tente acabar com as iniquidades, não precisa de mais uma estrela de stand-up.

16.5.09

Perguntas sem resposta 


Porque é que um país asiático - Israel - participa no Festival Europeu da Canção?

Ok, a pergunta tem resposta, mas parece mais uma manobra para dar a mão aos intratáveis que não conseguem fazer amigos na zona deles.

14.5.09

Telepatia 


Um dos indícios mais evidentes, para o cidadão comum, de que os preços dos combustíveis a retalho são combinados é observar as indicações dos preços nas próximas bombas de marcas diferentes, afixados nas auto-estradas. São iguaizinhos, ao décimo de centavo. Extraordinária coincidência. Se não são preços combinados… será, talvez, telepatia…

2.5.09

O Metropolitano de Lisboa é uma empresa desonesta 


Já quase não ando de Metro. De cada vez que lá volto, há uma novidade anti-passageiros. Já aqui falei de várias:
Os bilhetes de 10 viagens eram invalidados ao fim de certo tempo – uns três meses – coisa muito fácil de acontecer no período de férias. Cheguei a ficar com bilhetes de 7 viagens não utilizadas.
Nas estações existem ecrãs a dar publicidade em nível sonoro incomodativo.
O Metro extinguiu o bilhete de ida e volta. Não foi a pensar no utente, com certeza. O bilhete de ida e volta é mais utilizado que o simples, acredito. Agora o Metro cobra 2 bilhetes simples por cada natural viagem de ida e regresso – uma penalização do utente em 10 a 15%.

Mas, o que venho hoje dizer é a desonestidade do novo sistema de bilhetes:
Não é possível pagar, simplesmente, o valor de um bilhete (0,80 €) – tem que se pagar um extra (0,50€) para o cartão. Como isco aparentemente justo, as máquinas aconselham a guardar o recibo se o utente quiser reaver o dinheiro do cartão. Pareceu-me bem. Só que, quando tentei reaver o dinheiro na estação de destino, fui informado que tal só é possível em meia dúzia de estações principais… Bem, guardei o recibo até que, há dias, tentei reaver o dinheiro na estação Baixa-Chiado. Em vão. O que a funcionária me disse, com o ar mais natural do mundo, é que só é possível reaver o dinheiro no prazo de 5 dias…
Traduzindo:
O utente (peça de caça com 2 pernas) é obrigado a pagar 1,30 € por uma viagem de 0,80€ (mais 60%). Se a sua saída não for numa estação principal e quiser reaver o extra pago, pode reavê-lo prosseguindo até a uma estação principal e regressando a pé…

Pode parecer quase natural porque o bilhete é recarregável e serve para outras vezes, mas só quase. O anunciado parecia garantir a devolução de todos os bilhetes comprados, desde que se apresentasse o recibo. Fiado nisso, e não tendo o primeiro bilhete à mão, acabei por comprar outros 2 bilhetes. Agora, tenho 3 bilhetes e não consigo reaver o dinheiro gasto. Se eu tenho os recibos, não sei que legalidade lhes permite ficarem com dinheiro desonestamente obtido.

Olhando para todos os atropelos ao interesse do utente, acho que esta empresa funciona em roda livre. E deve sentir que é muito esperta – que consegue sacar muito dinheiro aos utentes, por serviços não prestados. Sabedoria era aprender que utente burlado vai ficando com ressentimentos que acabam por o afastar.

23.4.09

A lata do homem! 


Barack Obama, numa missiva aparentemente magnânima, veio dizer que para os Estados Unidos levantarem o embargo a Cuba que já dura há quase 50 anos, esta deve mostrar progressos, em termos de Direitos Humanos.
É preciso ter muita lata, o presidente dum dos países mais tenebrosos neste domínio – que tortura prisioneiros, que desapossou a maior parte dos seus cidadãos do acesso a cuidados de saúde pública, que exerce uma vigilância paranóica sobre os seus cidadãos – vir falar de Direitos Humanos. É como se o violador austríaco da filha durante 24 anos viesse dar lições de vida familiar aos outros.
Se alguém pode ter autoridade para falar de Direitos Humanos em Cuba serão as ONGs dedicadas ao problema e nunca o causador da grave agressão aos Direitos Humanos que é o embargo a Cuba.

O embargo é criminoso, causou muito sofrimento e morte. Se Obama não quer ser cúmplice só tem que o levantar. Ponto.
E, de caminho, tire o rabinho de Guantánamo, que não lhes pertence.

4.4.09

Neurónio desligado 


Há equipamentos que custam dinheiro às autarquias, mas não têm a utilidade que poderiam ter. Parece que são executados como cenário e não para serem utilizados. Estes bancos do Campo Grande em Lisboa estão implantados de modo que quem neles se sentasse podia desfrutar… do trânsito automóvel na rodovia contígua. Bem que gostaria de descansar o olhar nas águas calmas do lago e relaxar, na contemplação do evoluir dos barcos e dos patos, mas não tem alternativa. Os bancos nem sequer têm duplo assento que permitiria ao utente escolher. Pobres munícipes que dependem de quem deixa os neurónios a descansar, quando vai trabalhar… Será que os bancos se destinam apenas a serem vistos, com o arvoredo em fundo, pelos… automobilistas?

Em Odivelas, foram arranjadas as margens da ribeira que a atravessa e criado um belo parque de recreio, prestes a ser inaugurado. Mas, também ali, alguém deixou os neurónios em casa. Alguns bancos junto à margem foram implantados de costas para a ribeira e de frente para um talude de uns três metros de altura. Mais uma vez, sem alternativa. Bem gostaria o munícipe de olhar para o deslizar lento das águas da ribeira, mas tem que se contentar em olhar para um monótono declive mais ou menos relvado. Vistos do patamar superior, os bancos ficam bem, com o assento bem visível e a ribeira em fundo, em vez de só se verem as costas, mas não têm tanta utilidade como se alguém se lá sentasse.

1.4.09

Hoje ouvi: 


Não há conflito entre ciência e sobrenatural. Se houvesse fantasmas, fadas, duendes, a ciência teria de os investigar. O problema não é da ciência mas do Universo que nos calhou, que não veio equipado de sobrenatural.

Ciclo de conferências-debate sobre a rEvolução darwiniana, FCT, UNL.

27.3.09

O maroto do Pomar! 




Na galeria de retratos do Museu da Presidência da República, está um retrato que todos acham desenquadrado. Trata-se do retrato de Mário Soares pintado por Júlio Pomar. Na sequência de uma dúzia e meia de retratos austeros, solenes, escuros, dos presidentes antecessores, surge este, geralmente qualificado de «pouco ortodoxo, inusitado, irreverente, exemplo de expressividade e modernidade, que retrata o verdadeiro Soares, descontraído e sem pose», etc.

Realmente ser-me-ia inesperado se eu não o conhecesse já, da comunicação social. Tinha-me parecido um tanto arrojado, mas não tinha atentado bem nos pormenores. Nunca tinha estado ao pé dele.
A obra de arte vista ao vivo parece que comunica melhor o que tem para dizer.
O que choca mais é a forma tosca da mão direita, que obviamente, está a gesticular, como quem argumenta. O braço esquerdo pareceu-me numa posição estranha, bizarra. Não se percebe como é que ele pode ter o braço naquela posição.

De repente, a luz. O dedo da mão esquerda, apontado para si próprio, tem uns traços junto à ponta, a indicar oscilação, como na banda desenhada. «Olhe que não!; olhe que não!». O braço não é dele, é do Cunhal. Por isso o braço não parecia dele. Então reparamos que até a cor da manga é diferente. Aquele retrato conta um momento, talvez o momento mais famoso do PREC, quando os dois líderes dos dois partidos mais influentes em 75 se confrontaram em frente às câmaras da RTP.

Grande malandro, o Pomar! Quase que enganou toda a gente. Eu, pelo menos, nunca ouvi sugerir esta leitura.

Então, tornamo-nos desconfiados. O que mais terá o Pomar escondido na tela? Certamente que aquele rosa por cima da mão direita não é para chamar troca-tintas ao seu amigo, mas a cor ali muda, por efeito do gesto da mão, dum sombrio e nocturno azul que tudo envolve, para um festivo e diurno rosa, como quem limpa uma superfície embaciada por uma longa noite.
O Soares está numa cadeira com francas conotações de poder, por causa dos dois leões nos braços da cadeira. Está inclinado para a sua esquerda, para onde a gravata também aponta. O leão do braço direito, em traços mais conservadores que o leão do braço esquerdo, parece a cara de alguém. Quem? Esta, eu não quero arriscar. Pela cor do braço, podia ser o Cunhal; pela posição à direita, podia ser o Spínola. Aliás, o olho esquerdo do leão parece que tem um monóculo. Ou será uma leoa? Quem seria a leoa-braço direito de Soares? Parece evidente a resposta. Mas isso, só perguntando ao Pomar.

Comments:
Excelente, esta tua leitura!
Ainda a vou mandar ao Pomar...
abraço
 
Enviar um comentário

26.3.09

Presos pelo pescoço 





Há semanas, fui visitar o Museu da Presidência da República. Nunca tinha visitado a exposição das ofertas que os presidentes receberam, nem a galeria de retratos. Algumas das peças oferecidas surpreenderam-me. Entre elas, uma peça pequena, em bronze, de um par de cães em atitude de caça, mas presos um ao outro por uma correia, não podia ser mais simbólica, quando ficamos a saber que foi oferecida pelo Rei de Espanha… Não há dúvida que o nosso destino é comum, que estamos condenados a entender-nos.

19.3.09

O catolicismo está esclerosado 


Digo isto porque, mais uma vez, a hierarquia católica revelou de que lado está. No caso da menina brasileira de 9 anos, engravidada pelo pai, a Igreja excomungou os médicos e familiares que ajudaram a menina a abortar. O pai violador não foi excomungado.

Agora, em África, o Papa condenou o preservativo, dizendo que agrava o problema da Sida. Defendeu a abstinência e a fidelidade para a combater.
Faz-me lembrar uma personagem de Sttau Monteiro, um polícia que disparava sobre as ondas, acho que para as calar.

Pôr a teoria acima das pessoas é típico dos fanáticos e das suas organizações totalitárias. Em nome da teoria, ficam de consciência tranquila em relação a todos os sofrimentos que infligem.

O catolicismo está esclerosado. Se calhar, sempre esteve.

17.3.09

Best of... Março de 2008 


Diz que é uma espécie de antifascista

Sexta-feira passada, o ministro Santos Silva, ao ser confrontado com uma manifestação de descontentes que lhe chamou «fascista», reagiu assim:

"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre... Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira" (…) "lutaram por ela antes do 25 de Abril contra o fascismo, e lutaram por ela depois do 25 de Abril contra a tentativa de tentar criar em Portugal uma ditadura comunista".

Afinal o ministro é um tonto. E dos ingratos.

Calma, Gugu! Esses ares de antifascista ofendida são muito reveladores. Aposto que tem, emoldurado, um certificado de ter corrido uma vez à frente da polícia. E os pergaminhos que o PS ostenta de ter liquidado a Revolução, também. Isso, ninguém lhe contesta. Mas veja lá que talvez alguma das visitas de casa não consiga evitar um esgar de asco.

Logo após Novembro:

- O acesso aos meios de comunicação vai-se afunilando para os trabalhadores e sindicatos e escancarando para as organizações patronais.

- O sector privado é restabelecido pela desintervenção de parte da indústria nacionalizada, dando-lhe ainda acesso à indústria de armamento, petroquímica, adubos e siderurgia, e pela entrega sucessiva de «reservas» aos antigos agrários.
Mais tarde, abrir-se-ão «à iniciativa privada os sectores adubeiro, cimenteiro, bancário e segurador».[1]

- Concedem-se «abundantes benefícios fiscais», a agricultura é protegida «por quotas de importação, direitos aduaneiros e subsídios diversos».

O patronato agrupado em confederações (CAP, CIP e CCP), considera sempre «a lei demasiado restritiva», as «medidas insuficientes». Nunca está satisfeito. E o Estado vai tentando satisfazê-lo. «Haveria também uma factura a honrar, a do 25 de Novembro».[2]

- «Agiliza-se» a legislação laboral, facilitando os despedimentos, criando a figura do contrato a prazo [3], facilitando o poder disciplinar pelo patrão, tentando calar as críticas deste, que nunca se cansa de se queixar da legislação laboral para justificar a falta de competitividade das empresas.

- Atacam-se os sindicatos da CGTP-In: [4] inviabiliza-se a cobrança de quotas sindicais pelas empresas; cria-se outra central sindical na área do PS e PPD, tentando fazer corresponder no mundo sindical a relação numérica das urnas; muscula-se a relação com as greves, recorrendo à requisição civil se necessário; introduz-se um tecto salarial para evitar a desmesura dos aumentos salariais, ainda que estes não cubram o aumento da inflação.

Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Quem não quer ser chamado de fascista não faz o que o PS, às vezes, faz.

Calma, Gugu! Fascista não será o senhor nem o PS, mas não está à espera que os descontentes, tão descontentes que «vêm para a rua gritar», elaborem o discurso com as subtilezas de um comentador televisivo versado em Teoria Política:

- O seu partido, senhor ministro, tem uma prática política que, embora não possa ser formalmente classificada como fascista, apresenta, no entanto, certas posturas tendencialmente fascizantes que acossam os cidadãos do modo que a comunicação social costuma imputar ao regime anterior.

A destruição do Serviço Nacional de Saúde é o quê?
A projectada extinção dos pequenos partidos é o quê?

Calma e humildade, Gugu! Muito caminho antifascista terá que percorrer para chegar às sobrancelhas de Cunhal.

[1] José Medeiros Ferreira, José Mattoso (dir.), «Do período de transição à actualidade», in História de Portugal, 8 vols., vol. 8: Portugal em transe: 1974-1985, Lisboa, Estampa, s.d. [1994]. p. 156.
[2] Ibidem, p. 161.
[3] Ibidem, p. 154.
[4] Ibidem, p. 155.

16.3.09

Banda desenhada e cantada 


Há dias, voltei, pela terceira vez, ao Museu de Etnologia – ali por cima do estádio do Belenenses – onde já não ia há uns quatro anos. O agrado não podia ser maior. A exposição de tiras pintadas por mulheres indianas tem uma beleza, uma genuinidade, que me surpreenderam. Assisti, também, um pouco emocionado, ao total de um vídeo com uma meia hora, onde se mostra o quotidiano envolvente daquelas mulheres, as suas dificuldades económicas e sociais, o seu projecto colectivo, e onde também se mostra como surgem as tiras, desde a produção caseira das cores, até à concepção das cenas, à pintura, e à apresentação cantada. Os temas sociais, onde se percebe uma crescente consciencialização da força do feminino para resolver os seus problemas e ganhar controlo sobre o corpo e a vida, têm vindo a ganhar terreno aos temas tradicionais, geralmente religiosos. Uns e outros estendem-se ao longo das tiras de mais de dois metros, verdadeiras histórias em quadradões, ora de uma ingenuidade tocante, ora de uma habilidade de traço que surpreende em populares sem preparação académica.


«A tradição de cantar histórias pintadas em longas tiras que se vão desenrolando é antiga na Índia e tem sido uma actividade eminentemente masculina, desempenhada pela comunidade dos Patua. Recentemente, um grupo de mulheres de Naya, uma aldeia perto de Calcutá, retomou esta prática, tendo constituído uma associação de pintoras. Muitos dos seus membros estão representados nesta exposição. Esforçam-se por encontrar novos mercados para vender o seu trabalho em feiras de artesanato e junto das famílias de classe média de Calcutá. Para além deste canto feito em itinerância, elas aumentam o seu rendimento mediante a venda a particulares, mas também a patrocinadores estatais de campanhas a favor da alfabetização da população adulta, das regalias sociais e da saúde pública.»

14.3.09

Tal pai, tal filho 


Tendo pois vagueado pelo deserto durante 40 anos, após a saída do Egipto, disse Josué ao seu povo: «O Senhor nos prometeu a terra de Canaan onde corre o leite e o mel. Destruamos as muralhas das suas cidades, passemos a fio de espada os seus habitantes e tomemos posse do que é nosso por promessa do Senhor.» E assim se fez.

Tendo pois andado dezanove séculos disperso pelas terras dos ímpios, após a Segunda Diáspora, disse Ben Gurion ao seu povo: «O Senhor nos prometeu a terra de Canaan onde corre o leite e o mel. Destruamos as suas cidades, espalhemos o terror entre os seus habitantes e tomemos posse do que é nosso por promessa do Senhor.» E assim se tem feito, com a letargia cúmplice da comunidade internacional.

2.3.09

O saque em curso 


O horizonte está escuro. A oligarquia no poder está a descapitalizar rapidamente o Estado através do seu banco.
Há dias descobriu-se que a Caixa comprou acções a um cliente a um preço bem superior ao seu valor em bolsa, ofertando-lhe, assim, 62 milhões de euros. Argumentou que eram acções que tinham servido de garantia, e que, entretanto desvalorizadas, já não cobriam o autorizado. Incúria? Descuido? Não.

Em 2001 não me deixaram dar ordem de compra de acções por lá não ter, no dia, o valor correspondente. Argumentei que nunca tinha faltado com o valor no dia da liquidação; que tinha lá acções que cobriam o valor em causa, se a isso se chegasse. Nada feito. Foram irredutíveis.

Agora, verifico que nem sempre é assim. Portanto, praticam o compadrio, o favorecimento, cultivam a corrupção. Com danos imensos para o Estado – todos nós.
Isto, para mim, é saque puro e duro. Não há controlo, não há travão, a coligação oligárquica no poder vai rodando os seus membros pelo governo, pela banca – entreajudam-se e encobrem-se uns aos outros. Se não os substituirmos rapidamente, levarão o país à bancarrota.

P.S.(2/3): Parece que sou bruxo: sexta-feira passada, o Governo alterou as condições de remuneração dos Certificados de Aforro, tornando-os mais atractivos - estão a tentar captar mais poupança, que as reservas devem estar a baixar perigosamente...

Comments:
A questão que me preocupa, ainda que não jogue na bolsa (possiveis ganhos apenas e só com base na especulação) e para além da necessidade de os substituir (a estes e a outros por aí instalados) é saber quem ocupará o lugar vago.
Até porque, como diz o povo e se tem vindo a constatar "Atrás de mim virá quem bom de mim fará!"
 
Enviar um comentário

28.2.09

Drag Queen 

24.2.09

Carnaval no Rio 


Há dias, ao fazer uma crítica a um conto de uma amiga brasileira, onde se falava de uma menina pobre de uma favela do Rio de Janeiro, que acabava por morrer numa cheia, disse que o conto puxava ao choradinho, estava exagerado e, nesse sentido, era panfletário.
Essa amiga respondeu-me de uma maneira tão sentida que trago aqui essa missiva, numa quadra em que o Carnaval, que de lá nos chega, parece mostrar que tudo é bonito e alegre.

Você vive na Europa, aqui no Brasil, a situação é bem diferente. Existem crianças e adultos que nunca saíram das favelas, porque favela não é um pequeno número de habitações no meio da cidade.
Favelas são cidades dentro da cidade. Não dá pra explicar, melhor olhar no Google Favela da Rocinha, um exemplo, com um número de habitantes e infra-estrutura de cidade grande.
Eu moro cercada por três favelas, uma delas, Jacarezinho. Quando eles decidem…fecham todo o comércio e mandam os onibus pararem. Você já imaginou não poder sair de casa?

Alice
[a personagem] não é chororô, é uma realidade, basta ler os jornais e você vai ver que esta semana usaram uma criança pra rituais macabros. Semana passada mataram 5 outras de pancada…esta é a minha realidade.
Quando as pessoas morrem por aqui…levam o dia inteiro jogadas no meio da rua… esperando o rabecão…ou morrem na porta do hospital, ou de fome…ou de dengue! Dengue não existe em muitos países. Aqui morremos de dengue.

1-Os bairros no Rio estão desvalorizados. Antes, a Tijuca era elite…hoje em dia… Um imóvel vale 300.000 e pagam 70.000. Sem emprego, sem condições de mudar, sem direito a colocar a cara na rua.

2-As firmas e fábricas do meu bairro, fecharam as portas por conta dos assaltos. Virou bairro fantasma. Gente desocupada dorme nos jardins e praças públicas. As ruas fedem…

3- Não dá pra sair de casa na hora dos tiroteios e falsas blitz. Todo mundo sabe quando as drogas chegam porque soltam fogos. Alguém liga pra denunciar? Claro que não.

4- O Rio está um caos, virou um gueto, miséria é balinha de criança. Não escrevi para ser tocante ou piegas.

5- Eu mando artigo para jornais e revistas com o mesmo teor. Assino meu nome e estão lá… Se vou levar um tiro ou não…fiz minha parte e vou continuar reclamando.

6- Queria minha cidade limpa e menos violenta. Mas precisamos educar e minhas crianças não frequentam escolas.
Mas escutam histórias como esta e acham ”legal”. Se identificam…sei lá…
Quando vou aos educandários, sento com estas criaturinhas que olham de cara feita e barganho atenção com brinquedos. Não adianta nada dar livros, a maioria não sabe ler. Sabe que é absurdo o número de crianças que mal sabe escrever o nome?
Eles ouvem…ganham os brindes e não dão a mínima. Os poucos que fazem uma pergunta ou demonstram interesse… salvam o dia dos doidos que fazem este trabalho…grupo voluntário de visita aos meninos de rua…nem vou contar o que eles fazem com os brinquedos…

Não estou justificando o conto, estou apenas explicando que graças a ele, cheguei até você.
Quem sabe vc escreve alguma coisa sobre o assunto…talvez vá parar nas mãos de um outro escritor e mais pessoas tomem conhecimento….
É só um continho de nada…mas a internet é um meio de comunicação e tanto… Permitiu que eu daqui da ilha do caos, mandasse um pedido de socorro para além mar…

***

Ah..desculpa…é uma história panfletária sim…estou usando para pedir ajuda e contar pra todo mundo.
Aqui tá faltando água, as escolas passam as crianças de ano e elas ganham diploma semi-analfabetas. Logicamente não conseguem emprego, e terminam repetindo a vida dos pais.
O que eu tenho medo e sei que a maioria também teme: Um dia as favelas vão descer e tomar o asfalto. Neste dia, a cidade, que abriga a cidade, vai virar poeira…

21.2.09

Soluções para a crise 


Dantes, por vezes, eu deixava passar a data de pagamento de alguma factura de despesas caseiras. Agora, isso raramente acontece. Tenho-as dispostas verticalmente, junto ao ponto onde largo as chaves, com a data escrita de maneira bem visível. Quando o prazo limite se aproxima, pago-as.

Hoje, o Sócrates lembrou que, em vez de descrevermos a crise, devemos apontar soluções. Gostei de ouvir. E aí lembrei-me que não faz sentido deixar para o último dia o pagamento das nossas facturas. Quando chegam pelo correio, já estamos a devê-las; porque não pagá-las logo, se tivermos dinheiro na conta? Não ganhamos nada por manter o dinheiro nos bancos – as instituições parasitas que nos massacram com propostas de cartões e empréstimos de que não precisamos, que nos cobram taxas de serviços surrealistas, que nos cobram taxas de juro de habitação canalhas, que desencadearam a crise mundial, que continuam com lucros obscenos, que não nos pagam juros pelo dinheiro que lá vamos tendo depositado. Não nos pagam juros, mas esse nosso dinheiro está a servir para ser emprestado a outros «nós» por taxas agiotas.

Se não nos pagam juros, de nada serve manter lá o dinheiro. Paguemos as contas o quanto antes. Ao menos são de empresas que produzem alguma coisa, que nos prestam algum serviço ou nos fornecem algum produto – merecem algum respeito.

Eis a minha solução para ajudar as empresas portuguesas.

Comments:
Corrigido, que não me havia apercebido daquela pequena troca de posição.
Já agora, esta tua sugestão até que tem graça!
 
Enviar um comentário

20.2.09

Best of... Fevereiro de 2008 


Arte Islâmica


O poder muçulmano dominou partes do território que actualmente constitui o de Portugal desde cerca de 711 até meados do séc. XIII – mais de 500 anos.
A influência das crenças e dos outros aspectos da mentalidade gera formas e estéticas próprias e a estada muçulmana na Península não foi excepção. A arte muçulmana tem características próprias e criou também alterações de gosto em quem a ela foi exposto. A chamada Arte Islâmica não se limita à produzida durante aquele período mas também à produzida posteriormente por artífices muçulmanos, que por cá se mantiveram ou na próxima Granada, ou até por artistas cristãos que souberam corresponder às encomendas de quem estava seduzido por aquelas formas ou queria usá-las como símbolo de luxo ou exotismo.

Mértola é a povoação portuguesa que mais vestígios contém da estada muçulmana. As minas próximas e o contacto fluvial com o Mediterrâneo mantiveram-na com alguma importância durante séculos e no tempo de D. Afonso Henriques chegou mesmo a ter um certo protagonismo político no campo muçulmano. Hoje, Mértola tem vários pólos museológicos dedicados à presença islâmica (mas não só) e toda ela está bastante virada para essa recente vocação turística.

As palavras seguintes podem-se ler numa parede do museu islâmico de Mértola e denunciam a orientação moderna do arqueólogo Cláudio Torres – um dos artífices da actual visibilidade de Mértola – de não olhar apenas para os cabeçalhos da História:

A história é feita de muitas memórias. O documento escrito, nas suas linhas e entre-linhas, pretende mostrar à posteridade os feitos dos poderosos, os registos de uma história encomendada. Aos oprimidos, sem escrita, resta o efémero de um gesto ou acorde musical, resta o artefacto humilde de todos os dias, a panela escura que esbeiçou de cansaço ou o candil onde o azeite secou.
Neste nosso museu vamos contar a história possível dos vencidos, dos camponeses, pescadores e artesãos de Mértola, a quem chamaram mouros, e que habitaram e ainda habitam as casas dos seus antepassados.

18.2.09

Irregular 




Esta casa que, se calhar, já foi muito regular e simétrica tem agora este extraordinário aspecto irregular. Reparem na janela inclinada da direita, nas diferentes em baixo, nas trapezoidais à esquerda todas diferentes, e na porta cega. Se quiserem encontrar outros pormenores, vão a Murtede - entre Cantanhede e Mealhada.

Etiquetas:


12.2.09

É preciso correr com ele 


Este governo foi embarrilado com o BPN. Já deitou à rua 1800 milhões de euros. É o governo a meter dinheiro de um lado e os depositantes, que embarcaram no sistema D. Branca do banco, a tirá-lo do outro. Um governo tem obrigação de não se deixar ludibriar desta maneira. Deve ser responsabilizado por pôr em causa a estabilidade financeira do país para estabilizar bancos falidos por fraude. É preciso puni-lo nas urnas. Ele e todos os governos que têm privilegiado a privatização da economia. Já temos direito a um governo virado para os cidadãos.

2.2.09

Uma ideologia contra a Humanidade 


A Disease of the Mind – Zionism

Zionism is a sickness, for it takes much more than just a twisted ideology to make people think like that. It requires a profound leap of immorality of a higher order to instill this mentality in your followers. Zionism is not merely a political movement, but in its essence represents a deeply disturbed view of the world, which is a reflection of a terrible disease of the mind.

Indeed, to deny the existence of a vibrant community such as the Palestinian society in the early twentieth century and describe Palestine as "a land without a people for a people without a land" is a disease of the mind.

To assert property claims over real estate after the lapse of more than 2000 years with the same certainty of title as if one resided there yesterday is a disease of the mind.

To describe the colonial immigration to Palestine of a European people with no proven historical link to the ancient Israelites – and whose great, great recorded ancestors have never set foot there – as some kind of a "return" to that land is indicative of a perverted misunderstanding and misapplication of the verb to "return" and can only be a result of a disease of the mind.

To blame the Palestinians for being unreasonable in rejecting a partition plan in 1947 which gave the Jews, who only owned 7 percent of the land, an astonishing half of Palestine, is a disease of the mind.

To demand of the Arabs at the time to peacefully succumb to such partition, where 86 percent of the land designated for the proposed Jewish state was Palestinian-inhabited and owned land, is a disease of the mind...

To eventually grab 78 percent of Palestine through war and to force the flight of the population through deliberate massacres and then call it a war of independence is a disease of the mind.

To deny the orchestrated massacres and eradications of hundreds of Palestinian villages in 1948 and then denounce the Israeli historians who later exposed this truth as self hating Jews is a disease of the mind.

To claim that having escaped the horrors of Auschwitz-Birkenau, Treblinka, and Dachau is a justification for the murder, expulsion, and occupation of another guiltless people is a disease of the mind.

To legislate that any resident of Poland, Hungary, New York, Brazil, Australia, Iceland, or even Planet Mars, who happens to be blessed with a Jewish mother (yet cannot point to Palestine on the map) has a superior right to "return" and settle in Palestine to someone who has been expelled from his very own land, confined to a squalid refugee camp, and still holds the keys to his house, is a disease of the mind.

To blame God for the theft and occupation of someone else's land by claiming that it was He who had pledged this land exclusively to the Jews, and to seriously promote the myth of a land promised by the Almighty to His favorite children as an excuse for this crime, is a disease of the mind.

To milk the pockets of the world for the atrocities of the Nazis, while stubbornly refusing a simple admission of guilt, let alone compensation or repatriation, for the catastrophe that befell the Palestinian people is a disease of the mind.

To keep reminding and blackmailing the world of the plight of the Jews under Hitler 70 years ago, while at the same time inflicting on the Palestinians today the same fate of the Jews of the Warsaw Ghetto, is a disease of the mind.

To virtually incarcerate the Palestinian people inside degrading cages, destroying their livelihoods, confiscating their lands, stealing their water and uprooting their trees, and then to condemn their legitimate resistance as terrorism is a disease of the mind.

To believe you have the right to chase the Palestinians into an Arab capital city in 1982 and to indiscriminately bombard its civilians for a relentless three months, murdering thousands of innocent people is a disease of the mind.

To encircle the civilian camps of Sabra and Chatila after evacuating the fighters and to unleash on them trained dogs (while providing them with night-illuminating flares for efficiency) and then deny culpability for the carnage is a disease of the mind.

To publicly declare a policy of breaking the bones of Palestinian stone-throwers to prevent them from lifting stones again and to enact this policy is a disease of the mind.

To have the sadistic streak of exacting vengeance on the innocent families of suicide bombers by punishing them with the dynamiting of their home is a disease of the mind.

To describe the offer of giving the Palestinians 80 percent of 22 percent of 100 percent of what is originally their own land as a "generous" offer is a disease of the mind.

To believe that you have the right to continue to humiliate the Palestinians at gun point by making them queue for hours to move between their villages, forcing mothers to give birth at check-points is a disease of the mind.

To flatten the camp of Jenin on its inhabitants and deny any wrongdoing is a delusional condition which is symptomatic of a serious disease of the mind.

To build a huge separation wall under the pretext of security, which disconnects farmers from their farms and children from their schools, while stealing even more territory as the wall freely zigzags and encroaches on Palestinian land is a disease of the mind.

To leave behind, in the last 10 days of a losing war in Lebanon, more than one million cluster bombs which have no purpose except to murder and maim unsuspecting civilians is a product of an evil disease of the mind.

To believe that the entire world is out to get you and to denounce any critic of the racist policies of the State of Israel as an anti-Semite, the latest victim being none other than
peace-making Jimmy Carter, is an acute stage of mass paranoia, which is a disease of the mind.

To possess, in the midst of a non-nuclear Arab world, more than 200 nuclear warheads capable of incinerating the whole planet in addition to having the most advanced arsenal of weaponry in the world while continuing to play the role of a victim is a disease of the mind.


This article was originally published in
Jordan's Living Well magazine.

Comments:
Anti-semitismo no seu melhor. Judeu bom é judeu morto, é?
Vamos atirá-los todos ao mar, que tal?
 
Entristece-me sempre encontrar a incapacidade de interpretar um texto.
 
Enviar um comentário

31.1.09

Best of... Janeiro de 2008 


Imunes ao vírus

Apesar da comunicação social manipulada, quer nos Estados Unidos quer cá, pessoas há que, como se dispusessem de uma firewall, conseguem vislumbrar a carta marcada na manga e mantêm uma capacidade de pensar autónoma. Uma dessas pessoas é o escritor Mário de Carvalho de quem colhi as seguintes palavras na Visão, acerca de Hugo Chávez e da maneira como é tratado pelas «vozes do dono»:

(…) Pessoalmente, abomino os estardalhaços e os alaridos populistas. Mas a perseguição da figura pelos aparelhos de propaganda não tem que ver com isso. As partes gagas dos políticos são avaliadas com complacência pela ortodoxia dominante, desde que eles se curvem a sacrossantos desígnios imperiais. Comportamentos grotescos em Portugal, capazes de envergonhar o mais alarve, não incomodam quem decide sobre a formatação das opiniões.
A razão para o condicionamento da opinião pública contra Chávez, por intermédio das televisões, das redacções dos jornais e das criaturas políticas mais servis, é muito simples: ele põe em causa o poder dos patrões e do patrão de todos os patrões. Está do lado dos pobres, quer melhorar-lhes a vida, pisa os interesses das ricas escórias sociais latino-americanas e isso é imperdoável.
(…) Que se saiba, não tem campos de tortura, nem presos políticos, não pratica a pena de morte, não intruja nas instâncias internacionais, não desvia os recursos nacionais, nem se lhe conhecem enfeudamentos a interesses predadores, nem na América nem na Arábia Saudita. Tampouco intervém com armas no outro lado do mundo, matando gente e destruindo património, desfazendo nações e equilíbrios, maltratando prisioneiros e espalhando a violência e a infelicidade. Não consta como homem de mão de causas sujas, sacrificando o clima, o bem-estar e o futuro da Humanidade à ganância de onzeneiros ávidos. Não é responsável pelo assustador naufrágio do prestígio dos EUA, nem incompatibilizou a sigla com as noções de Civilização, Democracia e Liberdade.
Pode não se apreciar o estilo do homem. Mas perante a prepotência e o descaro da opinião manipulada apetece exclamar provocatoriamente: Que Viva Chávez! Até ver...

Comments:
E que viva CHÁVEZ! Até ver...
 
Enviar um comentário

29.1.09

Novo macho alfa jurou sobre a Bíblia 


Obama tomou posse. Houve juramentos sobre uma Bíblia, a família presidencial foi encomendada a Deus (e eu que pensava que se tratava de um regime laico…), houve desfiles em trajes do tempo da Revolução. Uma imensa palhaçada. Eles que não critiquem os desfiles nazis, nem os soviéticos, nem os dos ayatollahs!
Por todo o mundo, a carneirada embandeirou em arco: que agora vem aí o paraíso sobre a Terra. Estão a admitir, implicitamente, que todo o nosso futuro se decide na América, pela acção de um só homem. E regozijam-se com tal subalternidade.

Eu sinto-me como uma ovelha que assiste, impotente e assustada, à emergência de um novo macho alfa na alcateia que vislumbra na encosta fronteira. Vejo os lobos a reorganizarem-se, a congregar forças através do apoio mais alargado ao novo líder, para mais avassaladoramente lançarem os seus ataques ditatoriais sobre os outros povos. Destruído o Iraque, é altura de atacar outros regimes que não baixam humildemente a cabeça sem luta. É fácil saber quem vão atacar: é só estar atento a que cordeiro vão acusar de, a jusante, lhes estar a sujar a água.

20.1.09

Fuck You, Bastard! 

Archives

links to this post

Agosto 2003   Setembro 2003   Outubro 2003   Novembro 2003   Dezembro 2003   Janeiro 2004   Fevereiro 2004   Março 2004   Abril 2004   Maio 2004   Junho 2004   Julho 2004   Agosto 2004   Setembro 2004   Outubro 2004   Novembro 2004   Dezembro 2004   Janeiro 2005   Fevereiro 2005   Março 2005   Abril 2005   Maio 2005   Junho 2005   Julho 2005   Agosto 2005   Setembro 2005   Outubro 2005   Novembro 2005   Dezembro 2005   Janeiro 2006   Fevereiro 2006   Março 2006   Abril 2006   Maio 2006   Junho 2006   Julho 2006   Agosto 2006   Setembro 2006   Outubro 2006   Novembro 2006   Dezembro 2006   Janeiro 2007   Fevereiro 2007   Março 2007   Abril 2007   Maio 2007   Junho 2007   Julho 2007   Agosto 2007   Setembro 2007   Outubro 2007   Novembro 2007   Dezembro 2007   Janeiro 2008   Fevereiro 2008   Março 2008   Abril 2008   Maio 2008   Junho 2008   Julho 2008   Agosto 2008   Setembro 2008   Outubro 2008   Novembro 2008   Dezembro 2008   Janeiro 2009   Fevereiro 2009   Março 2009   Abril 2009   Maio 2009   Junho 2009   Julho 2009   Agosto 2009   Setembro 2009   Outubro 2009   Novembro 2009  

Perdidos no Hiper-Espaço:

Em quarentena (Vírus linka-deslinka):

Desembarcados num Mundo Hospitaleiro:

Pára-arranca:

Sinais de Rádio do Espaço Cósmico:

Tele-transportes:

Exposição Temporária:


referer referrer referers referrers http_referer

This page is powered by Blogger. Isn't yours? Weblog Commenting by HaloScan.com Mail