
Mal
De entre os comentários de então, destaco o de mcorreia:
e falta dizer, perdoa se acrescento, que é assustador esse modo de a gente mentir
eu explico:
por qual motivo aparece escrita uma história que tu não viveste, nem ouviste contada do vizinho, nem, ao que lembres, leste?
ela ali está viva, sangrando, doendo como se fosse coisa nossa: cada criatura saindo sei lá de onde sem que a tenha engendrado de modo consciente: esta é uma fada, aquela um duende, tudo coisa aldrabada porque eu quero – e depois o tipo do barco casa com a criada do andar de cima
não é nada disto, entendes? é como se tivesses um andar de baixo, uma outra vida cheia de muita gente que, se lhes dás oportunidade, saltam por aí à toa (nem sempre, mas no caso de quem escreve e depois já nem sabe passar sem esse modo de estar)
não é bem recriar a vida
nem será decerto pôr mentiras
é deixar ser-se correia de transmissão: é mais isso o que se dá comigo e, sabes que de vez em quando, dá-me um certo receio, quase medo
exagero de dedo soltado em escrita, mas anda lá por perto rsss
Os 3 pastorinhos ajoelhados perante o Coração de Jesus que lhes apareceu em cima duma azinheira? Pois, porque não? Podia ter sido Ele, não podia? A imagem da Sra. de Fátima foi precisa para o mês de Maria e não se ia deixar o pedestal vazio, não é ?!
E, para o mês que vem, quando for a festa de S. Sebastião e o santo for para o andor, ponham lá no seu altar, rodeado de archeiros, um Cristo crucificado. Também está preso a um madeiro e se não andaram à frechada a Ele foi porque não se lembraram!
Há equipamentos que custam dinheiro às autarquias, mas não têm a utilidade que poderiam ter. Parece que são executados como cenário e não para serem utilizados. Estes bancos do Campo Grande em Lisboa estão implantados de modo que quem neles se sentasse podia desfrutar… do trânsito automóvel na rodovia contígua. Bem que gostaria de descansar o olhar nas águas calmas do lago e relaxar, na contemplação do evoluir dos barcos e dos patos, mas não tem alternativa. Os bancos nem sequer têm duplo assento que permitiria ao utente escolher. Pobres munícipes que dependem de quem deixa os neurónios a descansar, quando vai trabalhar… Será que os bancos se destinam apenas a serem vistos, com o arvoredo em fundo, pelos… automobilistas?
Há dias, voltei, pela terceira vez, ao Museu de Etnologia – ali por cima do estádio do Belenenses – onde já não ia há uns quatro anos. O agrado não podia ser maior. A exposição de tiras pintadas por mulheres indianas tem uma beleza, uma genuinidade, que me surpreenderam. Assisti, também, um pouco emocionado, ao total de um vídeo com uma meia hora, onde se mostra o quotidiano envolvente daquelas mulheres, as suas dificuldades económicas e sociais, o seu projecto colectivo, e onde também se mostra como surgem as tiras, desde a produção caseira das cores, até à concepção das cenas, à pintura, e à apresentação cantada. Os temas sociais, onde se percebe uma crescente consciencialização da força do feminino para resolver os seus problemas e ganhar controlo sobre o corpo e a vida, têm vindo a ganhar terreno aos temas tradicionais, geralmente religiosos. Uns e outros estendem-se ao longo das tiras de mais de dois metros, verdadeiras histórias em quadradões, ora de uma ingenuidade tocante, ora de uma habilidade de traço que surpreende em populares sem preparação académica.

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Esta casa, este museu, acolhe a memória de muitos dos que, no desajustamento entre a sociedade de então e o mundo ambicionado, estabeleceram, cada um à sua maneira, com os processos e os métodos que lhes eram próprios, uma teoria de conjunto da injustiça social. – Baptista Bastos.
Admiro aqueles que dominam o manejo das palavras e conseguem, com económico uso delas, transmitir sínteses de amplos e profundos significados.
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