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Universos Assimétricos

Uma História de Agressão

31.12.03

Balanço do ano e votos para 2004 

Em jeito de balanço, poderia salientar tantos aspectos negativos do ano que agora acaba, mas queria terminar o ano a falar de coisas positivas. Poderia escolher a imagem que mais me marcou, mas também seria negativa.
Opto por tentar lembrar-me de algo positivo ou que me tenha deixado agradado. Às vezes há pequenas coisas em que não reparamos, mas que são as que nos alegram o dia, nos deixam animados, sobretudo se as não esperarmos.
Este Verão, fiquei agradavelmente surpreendido com as passadeiras em madeira, que em toda a zona de Viana do Castelo, permitem ao veraneante chegar perto da água, sem se arrastar por uma centena de metros de areia, nem pisotear e arrasar as frágeis dunas costeiras. Não assentam na areia mas em estacas, têm guardas laterais, distribuem os banhistas ao longo de várias saídas, têm uma ou outra zona com bancos de madeira, são cómodas. Fiquei agradado com o conforto. Se calhar são comuns por essa costa fora. Tanto melhor.
Para 2004, desejo a continuação de um clima relativamente ameno para o nosso país, que é um aspecto da vida que ainda não se controla. Para a maioria das outras coisas, os homens podem dar um jeito, se quiserem.

posted by perplexo  # 21:15

Animais! 

Domingo passado foi o último dia de caça deste ano. Todos os anos, por esta ocasião, um pouco por todo o país, é possível ver cães caminhando pelas estradas, tentando regressar a casa ou parados, olhando confusos, desorientados, com um olhar a um tempo assustado e triste.
Todos os anos há uns animais que abandonam os seus fiéis ajudantes da caça. Não lhes convém continuar a alimentar durante todo o ano um cão que só é rentável durante a época de caça. Às vezes, roubam-nos simplesmente no início da época e largam-nos no fim.
Caso para admirar vai sendo o do caçador que cria o seu cão, o ensina a caçar com a ajuda de outro cão mais experimentado e o trata tão bem no «defeso» como na época de caça. É um investimento de anos.
Mas a caça tornou-se exibição de poder de fogo em colectivo, em vez de perícia de equipa cão-caçador. E o cão tornou-se descartável.

29.12.03

Sector em recessão (4) 

Pelo que vejo na televisão, alguns arquitectos têm optado por sarapintar as bancadas com cadeiras de diversas cores. Parece-me uma boa opção para esconder a falta de espectadores que frequentam os estádios. Com uma captação feita de longe, parece que as bancadas estão cheias.
Na verdade o futebol é um sector em crise. Tem cada vez menos espectadores. Valem-lhe as receitas que a comunidade aceitou dar-lhe – as do Totobola. Valem-lhe as receitas decorrentes dos contratos de transmissão televisiva e de publicidade. Valem-lhe as mil e uma facilidades que uns quantos «notáveis» colocados em altas instâncias lhe facultam.
Não será o Euro 2004 que o salvará. Não serão os espectadores do Euro 2004 que pagarão os novos estádios.
Talvez haja alguma razão económica ou estratégica para substituir grandes por enormes estruturas, num sector em recessão. Eu não a descortino.

28.12.03

Encostados a um canto (3) 

O que terá levado o arquitecto do estádio do Sporting a encavalitá-lo na Av. Padre Cruz? O alto de um dos pilares, se não está a invadir a via pública, pouco lhe deve faltar.
Terá sido acautelado o interesse público? Por onde passará a estrada se precisar de alargar? Passará pelas caves do estádio e o Sporting cobrará portagem?
Seja como for, estou habituado a que as «catedrais» não sigam o exemplo de construção dos bairros clandestinos, mas sejam implantadas em espaços de dimensão adequada e enquadradas nobremente nesse espaço. O aproveitamento do espaço, que só olha para o valor em Euros por metro quadrado e descura quer os aspectos funcionais, quer os estéticos e paisagísticos, produz às vezes bem majestosos mamarrachos.

27.12.03

Berrantes e alagartados (2) 

Também o estádio do Sporting tem a face inferior das bancadas em cimento à vista, mas vê-se bem menos.
Neste estádio, o arquitecto conseguiu uma ilustração perfeita do conceito «alagartado», o que não se garante que os sócios aplaudam. Se as cores do clube, com a dureza do branco, do verde-escuro e do negro evocavam masculinidade, esta multiplicidade de verdes mais ou menos secos e amarelados que as fachadas do estádio ostentam, aportam ao clube uma imagem bem mais feminina.
Se pode ser ridículo e preocupante chamar «Estádio do Dragão» ao estádio do Porto, por parecer apontar para uma mitologia maníaca, já chamar ao do Sporting, «Estádio do Lagarto», parece assentar como uma luva.

26.12.03

Catedrais e barracas (1) 

Dos novos estádios, conheço e só por fora, os do Sporting e do Benfica.
Há quem lhes chame catedrais, sobretudo ao do Benfica. Querem por certo atribuir-lhes majestade e imponência, mais que comunhão colectiva.
A imagem de catedral que tenho, é de robustez, nobreza de construção, preocupações estéticas e simbólicas. A «catedral» do Benfica é ... grande. Não me desagradam os grandes arcos vermelhos que a culminam. No entanto, esta arquitectura de estrutura metálica, que deixa à mostra enormes porções da face inferior das bancadas, evoca-me irresistivelmente a «arquitectura» dos bairros de lata, com as suas estruturas de materiais circunstanciais e coberturas de fibrocimento ondulado. A evocação advém-me sobretudo do cinzento de cimento da face inferior das bancadas, «onduladas» pelo ritmo em degrau.
Esteticamente é deprimente. Simbolicamente, nem sei.

25.12.03

Cada vez acredito menos no Pai-Natal 

Certo é, que o Pai-Natal não faz parte de nenhum episódio do Novo nem do Velho Testamento. Não espreita em nenhuma tábua pintada em qualquer templo de qualquer época. Não aparece em nenhuma iconografia cristã. Não tem nada a ver com o Natal.
Como é que o enternecedor menino recém-nascido do Presépio, dá passagem a este grotesco barrigudo? Como é que o madeiro do adro se transforma em pinheiro nórdico, carregado de neve?
A globalização tira-nos até a cultura dos nossos avós, que seria a nossa.

24.12.03

Quem é este palhaço? 

É Natal. A tradição portuguesa louva o nascimento de Cristo, com missa do galo, presépio e madeiro a arder no adro da igreja. As famílias transmitem a tradição, associando as crianças à montagem do presépio, que ganha um espaço de ternura em muitas casas do país, sobretudo no espaço rural.
Entretanto, apareceu por aí um palhaço vestido de vermelho que teima em se imiscuir na tradição. Quem é ele? Será o pai biológico do menino? É um Rei-Mago tresmalhado? É o Rei do Carnaval e confundiu as datas?

23.12.03

Moto contínuo (2) 

Esta tecnologia explora uma propriedade simples de alguns líquidos, como a água, de «treparem pelas paredes» de vasos de pequeno calibre – a capilaridade. Esta propriedade contraria com êxito a força da gravidade e permite, como que por milagre, criar pequenas quedas de água sem rios e «sem consumo de energia».
O processo é mais complexo do que aqui se explica, sendo certo que necessita controlos de temperatura para evitar evaporações, milhões de capilares e muitos passos intermédios para se atingirem caudais e desníveis que permitam gerar energia eléctrica com valores não negligenciáveis. Mas funciona!

Moto contínuo (1) 

Em Capil 5, há muito que o «exaurimento» dos combustíveis fósseis criava dores de cabeça a todos os governantes e organizações que se preocupavam com as necessidades de energia e os inconvenientes radioactivos das centrais movidas a elementos nucleares.
A política de investigação foi direccionada para formas de energia não poluente nem exaurível, o que privilegiou as tecnologias suaves.
Entre estas tecnologias adoptadas por este planeta, talvez a mais prometedora, ainda que não a mais espectacular, é o que parece ser a primeira resposta para o tão procurado moto contínuo, isto é, um motor que não necessita consumir, por seu lado, alguma forma de energia, nem consumir qualquer combustível e que portanto, teoricamente, pode funcionar indefinidamente.

22.12.03

Julgar Bush (14) 

O mundo ainda não está suficientemente civilizado para perseguir judicialmente o líder do país mais poderoso. Muitas vontades se submetem ao status quo, não porque seja justo, mas porque reina a lei do mais forte. Bush poderá não ser perseguido já, devido ao seu poder de retaliação. Mas essa situação é uma derrota para o direito, a legalidade, a ética internacionais.
Para que o mundo tenha esperança na capacidade de os países conviverem com igualdade de direitos e confiança no futuro, os responsáveis pelo desencadear desta guerra têm que ser julgados. Ainda que seja só depois de abandonarem funções. Ainda que seja só daqui a 20 anos. Não se pode continuar a praticar só a «justiça» do vencedor. Isso, passa a desmoralizante mensagem de que a justiça do mundo é a da lei das espingardas.

21.12.03

Que fazer? – Julgar Bush (13) 

O ataque a um país sem justificação e sem legitimidade, configura um crime grave ao mais alto nível. As «provas» não existiam. Usou-se a mentira com fins inconfessáveis – atacar um país sem razão, para, talvez, controlar o petróleo, aumentar a área «amiga» na região através da implantação dum regime obediente, criar nova zona de mercado.
Capturar Saddam poderá servir como atenuante, mas não elimina a acção, que na origem continua a ser uma agressão gratuita, dando como resultado um extenso e profundo nível de sofrimento a toda uma nação. Bush deverá ser perseguido criminalmente por crimes contra a humanidade.

20.12.03

Boa notícia 

Há um juiz na Califórnia que quer que os prisioneiros de Guantanamo tenham possibilidade de defesa por um advogado, como qualquer pessoa em zona civilizada. Para Bush, eles poderiam estar indefinidamente sem culpa formada e sem julgamento. Bush acha que são terroristas e decide que não têm direitos. Será irónico se no futuro, alguém também diga que Bush, ao ser julgado, terá os direitos de defesa que recusou aos que lhe caíram nas garras.
É curioso que os States tanto geram «McCartismos» e «Bushismos», como têm a capacidade de se auto-criticarem. Ou antes, criticarem a actuação das suas instituições. Também era dos States que vinham as maiores críticas à actuação morte-americana no Vietname, no tempo dele.
Tudo gira à volta deles.

19.12.03

Notícia interestelar 

No 4º planeta da estrela Enola Gay, na constelação de Virgem, Saddam foi apanhado num domingo. Na terça-feira seguinte, descobriu-se que possuía documentos que o ligavam ao comando da resistência iraquiana. Perto do Natal, descobriram que também tinha com ele a documentação que provava inequivocamente que o Iraque possui armas de destruição maciça e na véspera de Ano Novo confessou que foi ele que lançou 2 bombas atómicas sobre o Japão.


18.12.03

Pagar a reconstrução (12) 

Os morte-americanos devem pagar «sozinhos» a reconstrução do Iraque. É ridículo virem, como vieram há tempos, pedir o auxílio da comunidade internacional para ajudar a pagar uma destruição que eles causaram. Não parece que a economia americana fosse abalada com aquela despesa.
E que fosse? A lógica do destruidor-pagador faz todo o sentido: quem parte, paga. Toda a jurisprudência ocidental está construída sobre o direito à propriedade e sua reparação, quando é destruída. Que o culpado tenha vergonha na cara e respeite ao menos as leis que criou!

17.12.03

Que fazer? - Pagar a reconstrução (11) 

Como a agressão ao Iraque foi injustificada, por não haver certeza que tivesse armas de destruição maciça e foi perpetrada ao arrepio da autorização internacional, a responsabilidade total cabe ao agressor. Depois de retirar, o agressor deve assumir o ónus dos estragos causados.
Não faz sentido querer pagar os estragos com os bens da vítima. Ainda por cima, com supervisão do agressor. Seria uma situação do tipo: [O assaltante entrou na loja, esfaqueou os proprietários, partiu montras e estragou mercadorias e agora quer chamar uns amigos que fazem uns biscates, para repararem alguns estragos e pagar-lhes com o dinheiro da caixa]. Haja vergonha!

16.12.03

Pedir desculpa a todos (10)  

As organizações humanitárias sofreram baixas, viram-se envolvidas em trabalhos de remedeio, de mitigação dos danos causados pela agressão morte-americana. É desmotivante para elas perceberem que estão a ser usadas para «limpar» a merda que alguém quer continuar a fazer, que era mais fácil não fazer feridos que tentar depois tratá-los.
Não faltam carências no mundo. O esforço aplicado por essas organizações no Iraque, podia estar a ser aplicado noutros pontos do globo, se não fora o erro intencional da administração morte-americana. Também elas podem legitimamente esperar um pedido de desculpas.

15.12.03

Notícia intercalada – Salvar a face 

Bush apanhou Saddam.
A maneira quase pessoal como a perseguição foi desencadeada, faz parecer que por detrás dum suposto problema de ameaça regional, estaria antes um ajuste de contas. Se calhar o Saddam ferrou o calote ao pai do Bush. Armas? Provavelmente. Então, este Bush teve que inventar um motivo «democrático». É como se Al Capone clamasse por legalidade em Chicago.
Qualquer justificação morte-americana, apoiada na tese da ditadura, tem de passar também pela captura de Sharon, se pretender ter alguma credibilidade. Se o critério é o número de mortos que cada um provocou, em quantos milhares vai a conta de Sharon? E já agora, a de Bush?
Se os morte-americanos fossem espertos, tinham agora uma ocasião preciosa para salvar a face, declarando que tinham atingido os objectivos no Iraque. E retiravam.
Mas a embriaguez da euforia já os fez declarar que não são.

14.12.03

Pedir desculpa (9) 

O erro morte-americano não prejudicou só os Iraquianos. Muitos países foram atingidos duma ou doutra maneira. Os «aliados», têm vindo a sofrer baixas, que não sofreriam se os morte-americanos não tivessem errado duma maneira tão censurável. Embora possam ter culpas por sabujice, ganância ou ingenuidade, também eles devem exigir desculpas morte-americanas, por terem sido arrastados para uma aventura militar irresponsável.
Os «não-aliados» foram pressionados, injuriados, sujeitos a sanções. Afinal, o tempo deu-lhes razão. São-lhes devidas desculpas.

12.12.03

Que fazer? - Pedir desculpa (8) 

Os morte-americanos erraram gravemente na questão do Iraque. Enquanto retiram, devem pedir desculpa. Sobretudo ao povo iraquiano, que tem sofrido em destruições e em vidas humanas o erro morte-americano.
O primeiro passo de quem erra, deve ser a contrição, a humildade, a assunção de que errou. Tentar manter o discurso arrogante, desculpar-se com terceiros, partir para vinganças mesquinhas, frustra qualquer esperança, qualquer resquício de grandeza que se pudesse esperar.
O pedido de desculpas é um sinal claro, embora convencional, de arrependimento. Só isso poderá quebrar o ressentimento do ofendido e iniciar o processo de perdão.

11.12.03

Correr com o agressor (7) 

A invasão ilegítima morte-americana e a manutenção da sua agressão configuram actividade criminosa premeditada.
Os ocupantes ilegítimos devem ser o quanto antes corridos dos territórios ocupados. Se o Iraque ocupou o Kuwait e apesar das «justificações» históricas foi legitimamente corrido, também os States devem ser coerentes e correr com o invasor do Iraque – eles próprios. O facto de serem os mais fortes e não haver qualquer força militar internacional capaz de os afastar, não lhes dá qualquer legitimidade para espezinhar e oprimir os outros povos.
OUT! Go Home!

10.12.03

Que fazer? - Afastar o agressor (6) 

Os morte-americanos atacaram um país soberano, sem razão. Os morte-americanos assumiram-se como agressores. O Iraque é vítima agredida, sem razão.
Todo o bom senso recomenda que se afaste o agressor da vítima.
Os morte-americanos devem sair do Iraque. Como não deviam ter entrado, devem sair o quanto antes. A sua permanência só arrasta uma situação ilegal.
O ideal era que fossem afastados por uma autoridade internacional.

9.12.03

Porquê o Iraque? (5) 

O Iraque até era um país progressivo e progressista. Era um dos poucos países da região em que o poder de Estado estava separado do poder religioso. Esse grande problema dos regimes islâmicos, estava ali estabilizado.
Aquela separação, representa um progresso em relação a regimes como o dos ayatolahs do Irão em que o líder espiritual é também o Chefe de Estado. É como se o Cardeal Patriarca, pelo facto de o ser, ganhasse direito a ser o Presidente da República.
Num regime laico, também grupos como as mulheres não são tão oprimidos como os dominados por regimes religiosos. As mulheres no Iraque não usavam tchador nem burqa.

8.12.03

Notícia intercalada – «Um mundo mais seguro» 

Ontem, com o intuito de destruírem um «terrorista» no Afeganistão, os morte-americanos, esmigalharam 9 crianças.
A expressão «deitar fora a criança com a água do banho», ganha aqui a sua mais horripilante ilustração. Só um enorme desprezo racista dos morte-americanos pelos outros povos, permite explicar que se ataque com armas desproporcionais uma casa rodeada de crianças.
Se o objectivo é tornarem-se mais odiosos que os talibãs, parece que estão a conseguir.

Porquê o Iraque? (4) 

O Governo do Iraque era controlado pela minoria Sunita, mas a maioria da população era Xiita.
Alguma vez se atacou um país por ter à frente um governo de minoria?
Os fundamentalistas islâmicos ganharam as eleições há 10 ou 15 anos na Argélia e todo o mundo achou muito bem que o poder não lhes fosse entregue, partindo-se para uma repressão sangrentíssima aos fundamentalistas. Se a comunidade internacional tem como ponto de honra o exercício do Poder pela maioria, porque é que não exige à Argélia a devolução do Poder a quem ganhou as eleições?

6.12.03

Porquê o Iraque? (3) 

Não seria sensato deixar aos Iraquianos a resolução da questão da «ditadura»? Portugal não precisou da «ajuda» morte-americana para se livrar da sua.
A justificação da «ditadura», é um sofisma. Nunca foi uma razão apontada como suficiente para a agressão. Além disso, ditaduras não faltam por esse mundo. Muitas, foram e são até protegidas e lançadas pelos morte-americanos.
Essa tese faz supor que o Iraque é o primeiro duma lista de países, cujo regime considerado opressor irá ser atacado e substituído pelos morte-americanos. Qual é o próximo? Quantos nomes tem a lista? Quando chega a vez de Israel?
Porquê começar pelo Iraque?

5.12.03

Que fazer? - Parar a agressão (2) 

Como não houve nem há justificação para a agressão, não há justificação para continuar a perseguir e matar os Iraquianos, sejam camponeses patriotas, sejam elementos das antigas forças militares e militarizadas do regime, seja o próprio Saddam.
De que é que são acusados? De usarem bigode?
Que tribunal os condenou? Quem lhes aplicou a pena de morte?
Qual foi o seu crime? Terem suportado 12 anos um embargo internacional que lhes matou milhares de crianças, entre outros grupos? Terem o seu espaço aéreo violado todos os dias durante 12 anos por países estrangeiros? Terem escancarado as portas a quantos inspectores a comunidade internacional lá quis pôr a vasculhar milhares de locais do país, incluindo os palácios do Chefe de Estado?

Agressão gratuita (1) 

Os morte-americanos sabiam que o Iraque nada tinha a ver com o ataque às torres do WTC. Sabiam que não abrigava a Al-Qaeda. Não tinham motivo moral para agredir o Iraque.
A intervenção morte-americana teve como «justificação» uma suposta ameaça de armas de destruição maciça. Os morte-americanos não tinham a certeza, como diziam, que o Iraque tivesse aquelas armas. Mentiram uma e outra vez. Não tinham razão «legal» para invadir o Iraque.
Ao arrepio da comunidade das nações, avançaram «sozinhos».
A ameaça revelou-se inexistente.
A partir daí, cai por terra a justificação para ter atacado o Iraque.
O que é que isto implica?

3.12.03

Independência (4) 

Foi penoso ver a dor dos italianos, mas mais ainda perceber que eles e outros (agora os espanhóis), ainda vão sofrer muito. Vão amaldiçoar «os terroristas», vão dizer que não recuam, vão andar confusos sem perceber porque é que os matam estando eles «a ajudar». Quando perceberem porquê, vão lamentar não terem percebido mais cedo.
É exactamente aqui, na tomada de consciência da opinião pública acerca da ilegalidade da intervenção, da sua falta de representatividade, dos interesses escondidos dos morte-americanos, que pode estar a escapatória para um país com pouco peso como o nosso. Uma vasta maioria de descontentes com a guerra é um argumento que a maioria dos governos não pode ignorar. Ela é que pode fazer o Governo reconsiderar. Ela é que pode evitar os morticínios mútuos.

Independência (3) 

Uma oposição intransigente aos planos dos States, iria irritá-los substancialmente e se à França só faltou chamar terrorista, imagine-se o que fariam com Portugal. Em caso de eventuais agudizamentos e alargamentos do conflito, uma postura anti-States poderia levar a situações de confronto graves, com consequências complicadas, a menor das quais seria a anexação da Base das Lajes. Não temos a estatura física duma França ou duma Alemanha. E sem estatura física não há muitas estaturas morais que aguentem.
Conclusão: não havia muitas escapatórias à participação de Portugal ao lado dos morte-americanos.

1.12.03

Independência (2) 

Portugal, não pode um dia clamar por ajuda para Timor, invocar as alianças e a seguir “roer a corda”. Se não concordar com os empreendimentos de guerra do suserano, o máximo que pode fazer é fingir que colabora, que está empenhado, enviar um barco de abastecimentos, umas dezenas de militares, argumentar com a ausência de um grande exército e comprar-lhe uns helicópteros. O suserano quando vê dinheiro, fica com os olhos em alvo.
Tudo isto, se o vassalo não estiver no Iraque de alma e coração com o suserano, que pode não ser o caso. (dupla negativa)

Independência (1) 

Antes que aconteça aos portugueses o que tem estado a acontecer a italianos e espanhóis no Iraque (longe vá o agoiro!), antes que seja demasiado melindroso ou penoso falar da intervenção portuguesa no Iraque, há que ser cru.
Portugal está incluído na zona geo-estratégica que coube em partilha aos States, após a 2ª guerra mundial. Se tivesse ficado na zona britânica, Salazar tinha ido dar uma volta.
Portugal, pelo seu peso, só pode aspirar à posição que tem hoje – a de vassalo do mais importante senhor feudal existente, sobretudo se a Europa não estiver unida. A posição de vassalo, supõe ser protegido pelo suserano em troca de ajudas várias – votações internacionais, apoio na guerra, cedência de facilidades. É uma espécie de sistema mafioso, ao nível de países.
A independência nacional é um mito de auto-complacência.

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