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Universos Assimétricos

Uma História de Agressão

30.4.04

Tomar café no sindicato (8) 

A luta laboral foi levando a que o trabalho fosse melhor pago, quanto mais penalizante fosse para o trabalhador. O trabalho nocturno pago por valores mais altos, levou a que a vida nocturna da capital se alterasse, pelo menos ao nível das cervejarias e outro pequeno comércio de restauração. Algum deste comércio que fechava por vezes às 2 da manhã, passou a fechar muito mais cedo, devido aos novos valores do trabalho nocturno, acho eu. A noite lisboeta ficou mais triste, com menos oferta.
Os novos conceitos de endinheirado=fascista, levavam a uma fachada contida e a retirar para núcleos partidários ou associativos. Aí eram agora os novos locais de eleição para os encontros e os namoros.

No pain - no gain / No casualties - no cheap oil

posted by perplexo  # 21:43

… Como ela somos livres de voar (7) 

A contestação, a reclamação de direitos nunca reconhecidos, fazia surgir lutas nunca vistas. Uma que surgiu logo nas primeiras 3 semanas e que causou celeuma, foi a luta das prostitutas, já não sei por que direito. A televisão abriu-se ao discurso popular, à queixa debitada pelo homem da rua. As pessoas tinham finalmente acesso a divulgar os seus problemas. Os telejornais estavam repletos de queixas, de afirmação de direitos, de cobertura das lutas laborais. Um dos programas mais populares tratava de desmascarar práticas desonestas de comércio, produtos fora de prazo, defeituosos, queixas de consumo, em suma.

Bush has halitosis. His breath is nearly a WMD

29.4.04

Uma gaivota voava… (6) 

A sensação de liberdade, a convicção que o destino de cada um, passava agora pelas suas mãos, levou a que muitas pessoas quebrassem as cadeias sociais ou rotineiras que as prendiam. Havia que levar a verdade não só ao político como ao social, à vida de cada um. Os divórcios saltaram em flecha.
A contestação nas empresas levava mais facilmente ao rompimento dos laços contratuais. A fuga de alguns empresários mais comprometidos associada à convicção que os patrões não tinham função produtiva, logo eram parasitas, levava a tentativas de controlo das empresas. Pelo menos, tentar uma co-gestão que devolvesse alguma verdade às relações de produção. O Estado era chamado a intervir em inúmeras situações, quer para legitimar a continuação da produção de empresas cujo proprietário fugira, quer para assegurar a gestão de empresas onde o conflito patrões-empregados ameaçava paralisá-las. Desde grandes empresas até padarias, por exemplo.

Rumsfeld kisses a WMD every morning

28.4.04

O primeiro 1º de Maio (5) 

O 1º de Maio de 74 foi inesquecível. Ou antes, as manifestações. A manifestação de Lisboa começava na Baixa e dirigia-se para o estádio do Inatel, já próximo do aeroporto. Foram muitos os milhares de pessoas a desfilar. Entre os primeiros a chegar e os últimos, talvez tenham mediado 2 horas. Toda a tarde se desfilou pela Almirante Reis-Avenida de Roma acima. Era um rio de gente a caminhar com um sentimento bom de reencontro, de partilha, de comunhão, de vitória sem raiva. Havia um estado de graça nos sorrisos, no convite aos que estavam pelos passeios, nas saudações a quem não se conhecia. Não havia ainda divisões. Estávamos felizes. Estávamos todos finalmente livres. Simplesmente.

P.S. - Correcção feita em 25-9-04: A memória pregou-me uma partida - parece que a Avenida de Roma não fez parte do itinerário Baixa-Estádio.

Freedom for the people

Comments:

27.4.04

Comunistas (4) 

Antes do 25 de Abril havia certos assuntos que se evitavam naturalmente. Um deles era comunismo. Os funcionários públicos tinham que jurar rejeitar a ideologia comunista. Sabia-se que o Poder não gostava do conceito nem dos seus praticantes.
A auto-censura levou o jovem, certa vez numa entrevista, a ficar atrapalhado por ter dito que gostava de ser útil à comunidade. Seria que isso poderia ser lido como proximidade de outras palavras com a mesma raiz?

Três ou quatro dias depois do 25 de Abril, as capas dos jornais anunciavam a chegada de Álvaro Cunhal, líder máximo do Partido Comunista Português, nome que o jovem nunca tinha ouvido. O condicionamento fê-lo ter um momento de apreensão? O quê, os comunistas vinham aí, às claras, confiantes e aceites? Nesse momento, o jovem começou a tomar consciência de que vinham aí tempos muito diferentes, não pelos comunistas em si, mas pela previsível abertura a múltiplas e variadas realidades até aí interditas.

Don’t bomb the mosques

25.4.04

Alívio (3) 

As dificuldades do Regime em conseguir quadros militares suficientes para sustentar a guerra do Ultramar obrigava a certos estratagemas. Os oficiais milicianos que não tivessem ido ao Ultramar durante o tempo normal de tropa, podiam ser novamente chamados, após alguns anos de dispensa. Era-lhes dado um curso de capitães em Mafra e seguiam para uma comissão no Ultramar. Alguns oficiais milicianos preferiam oferecer-se para ir ao Ultramar durante o tempo normal e despachar a questão, que ficarem no risco de fazerem tropa 2 vezes.
O jovem fez 3 anos e 3 meses de tropa, mas sempre na Metrópole. Por 2 vezes esteve prestes a ser mobilizado para o Ultramar. Numa delas, outro se ofereceu. Pelo 25 de Abril, faltariam uns 2 anos para ser eventualmente chamado de novo. De tempos a tempos, já tinha sonhos onde se via outra vez na tropa, o que não era muito agradável.
Quando o discurso dos revoltosos de Abril deu indicações que a política ultramarina se iria alterar, o jovem sentiu um alívio enorme, enorme.

Ban anti-personal mines


24.4.04

E da tarde e da manhã se fez o dia primeiro (2) 

Na tarde soalheira do dia 25 de Abril de 74, um casal estrangeiro, de língua inglesa, passeia pelo parque Eduardo VII, misturado com os outros passeantes portugueses que desfrutam o feriado inesperado. Dos lados da Baixa chegam de quando em quando sons de alvoroço popular. Não sei se o casal sabe o que se está a passar no país, mas o homem comenta sorridente, para a mulher: Deve ser por causa do Benfica!

No supermercado o jovem repara admirado que as pessoas estão a comprar quantidades anormais de víveres, sobretudo enlatados. Acha aquela atitude desproporcionada. Além de meia – dúzia de polícias com cães, cosidos nos portais da António Augusto de Aguiar, com ar furtivo e preocupado, nada parece indicar qualquer perigo.

À noite, na televisão, Fialho Gouveia dizia que um general não estava presente por se encontrar ausente.
Mas então? Onde estavam os capitães de que falavam as notícias? Não é que o jovem tenha uma grande consideração por capitães do quadro, desde a tropa, mas generais? Spínola? Escreveu um livro, e depois? É do regime…
Para que o poder «não caia na rua», já vai ao beija-mão?
E quem eram os outros emproados?

Stop the 40 years embargo against Cuba

25 de Abril – quinta-feira (1) 

O jovem atravessa o Parque Eduardo VII em diagonal. Está 10 minutos atrasado, como habitualmente. À vista do emprego vê também que o trânsito para o bairro onde trabalha está cortado por militares. Inquirido, um deles diz-lhe que não pode passar, sem mais explicações. O jovem volta para casa, conjecturando que tem uma boa desculpa para dar ao patrão, se ele o questionar nesse sentido.

Pelas 10 e meia ou 11, o jovem rejubila ao ouvir pela rádio que está em curso um movimento militar que parece querer derrubar o Governo.
O jovem lia frequentemente um jornal impresso em papel cor-de-rosa que vinha dos Açores e o Diário de Lisboa, mas o Governo representava para ele sobretudo a ordem asfixiante, parada em conceitos desactualizados. Toda a gente dizia mal, numa impotência cómoda, porque havia a certeza de que o Regime nunca mudaria. A prová-lo, estava o tosco golpe das Caldas.

Freedom for all

23.4.04

Blogaláxia 

O único site no mundo a usar o termo blogaláxia foi este blog em 27 de Fevereiro. Assim o indicam as pesquisas no Google, no Altavista e no Sapo.
Pesquisas no Google dão também só 1 resultado para blogalaxie e 18 para blogalaxy.
E no entanto parece um termo de fácil adesão, até pela identidade entre a última letra de blog e a primeira de galáxia e que além disso retrata bastante bem esta parte do universo – a dos blogs. Aliás, viria na sequência doutras designações como Galáxia Gutenberg.
Já bloguniverso dá 6 resultados e bloguniverse dá 157. E blogosfera dá 779.

Let Venezuela follow her own way!


22.4.04

Iraqopositivo 

A coisa deve estar mesmo complicada para os americanos no Iraque. O general de olhos sumidos que há 3 semanas sibilava altivo que ia destruir as milícias, há 3 ou 4 dias desfalecia humildemente para cima dum microfone.
O Paul Bremer está com ar cansado, pouco confiante. Não se reconhece nele o mesmo que em Dezembro anunciava triunfante: Ladies and Gentlemen – WE GOT HIM. Agora, macilento, quando começa a falar parece que vai dar a triste notícia: Ladies and Gentlemen – WE GOT HIV.

How can an american be the administrator of Iraq?

21.4.04

Quantos são? Quantos são? : – 16, para já… 

Acedendo aos protestos insistentes das populações que se diziam muito incomodadas pelo cheiro nauseabundo, as brigadas sanitárias começaram a tarefa hercúlea de tratar os lixos tóxicos que ao longo de dezenas de anos se vêm acumulando a céu aberto pelos campos de futebol.
Aqui manifesto solidariedade para com os que assim se expõem aos graves perigos que os lixos não-tratáveis sempre acarretam. Toda a gente concorda que não são flores que se cheirem.

Marines, go home

20.4.04

Entalados 

A ocupação injustificada do Iraque pela força, apoiada na manipulação da opinião pública, criou uma situação difícil de que não é fácil sair sem derrota.
Se os ocupantes recuarem, o regime iraquiano xiitará, o fundamentalismo islâmico progredirá, o Ocidente perderá margem de manobra. Será a evidência de que este só respeita os argumentos das armas.
Se as forças ocupantes ganharem militarmente como é mais que provável, devido à desproporcionada vantagem tecnológica das modernas armas de matança maciça, o Ocidente continuará a ditar as leis ao Mundo, mas a prazo vai pagar um preço muito alto. O mundo dominado não vai perdoar facilmente, muito menos esquecer, que vive sob regimes tutelados, mandaretes de Washington. A vantagem numérica dos Iraquianos só servirá para confirmar que as baixas são 10 ou 100 vezes mais numerosas que as dos ocupantes. Estes, acredito, avançarão mesmo que tenham que matar mais 20 ou 30 milhares de resistentes. Será a vitória das armas, será a derrota do direito internacional.
O ideal era que o Iraque não tivesse sido atacado.
Pretender aplicar uma fórmula ocidental apoiada na mentira e na agressão é insustentável por meios não violentos. E a mentira e a agressão são a derrota do Ocidente. Há que assumir o erro.
O remedeio é que os agressores sejam substituídos por forças das Nações Unidas, especialmente de nações muçulmanas.

Agressors are not welcome

19.4.04

Torres palestinianas 

Os Judeus têm fama de inteligentes, mas ou é uma fama injustificada ou os que estão no Governo de Israel não são judeus. Insistem em eliminar fisicamente um a um os líderes palestinianos, como se esperassem resolver assim os seus problemas de segurança ou minorar o ódio que os Palestinianos têm por eles. É evidente que haverá sempre outro líder a tomar o lugar do anterior e que os Palestinianos continuarão a odiá-los cada vez mais. É evidente que enquanto se mantiverem a ocupar a terra dos palestinianos não terão paz nem segurança.
Depois duma frouxa declaração pró-estado palestiniano por parte de Bush logo após o 11 de Setembro, a posição americana voltou ao que sempre foi – um apoio escandaloso (por isolado e injustificável), aos procedimentos de matança dos palestinianos e ocupação dos seus territórios.
A observadores mais distraídos da realidade palestiniana, poderão ter sido chocantes as manifestações de regozijo nas cidades palestinianas pela queda das torres gémeas. Seguindo a despudorada actuação americana recente, percebe-se que os Palestinianos continuem a ter razões para se regozijarem cada vez que os Americanos percam uma torre.

Israel out of the Palestinians' land

18.4.04

Fora de controlo 

Durão Barroso caiu na irresponsabilidade política e diplomática de criticar publicamente o iminente chefe do Governo dum país amigo e irmão. É grave, é censurável, é inexplicável. Um político com a rodagem dele já não devia cometer destas gaffes. Além disso, por estranho que pareça, não veio tentar um desmentido, uma nova leitura das suas palavras. A seita do eixo Washington-Telavive deve ter-lhe feito uma lavagem ao cérebro.
O nosso chefe de Governo estava tão convencido de ir por bom caminho ao apostar num puro-sangue, que ao ver o terreno a fugir-lhe debaixo dos pés, por apostar no cavalo errado, não hesita criar um incidente diplomático. O nosso chefe de Governo está a perder o controlo. O nosso chefe de Governo não oferece confiança.

US and us, out of Iraq

16.4.04

Echelon 

Se os posts do início deste blog que falavam em lugares interplanetários com nomes tão suspeitos como Bandor e Lilezzar, sempre acompanhados de cifras, terão porventura sido objecto de investigação por algum serviço secreto ou pelo omnicontrolador de comunicações Echelon, o post anterior vai de certeza ser visto, revisto e virado do avesso antes que o pessoal dos serviços criptográficos se convença que todas aquelas siglas não passam dum desdobramento de totoloto.
Se pode ser divertido imaginá-los enrascados, o sorriso gela quando se sente que trabalham para o mesmo patrão que lança mísseis sobre casas de pessoas!

How much blood needs Bush?

Bónus (33) 

Constatando que desde que fiz uma série de posts sobre jogos, especialmente totoloto e totobola, a composição dos visitantes deste blog alterou-se para cerca de 40 a 50%, os que procuram desdobramentos de totoloto, deixo aqui um desdobramento de 31 números, «barato», duma cobertura totalmente homogénea – cada número está associado a cada um dos outros 30 uma vez e só uma. No entanto, mesmo acertando os 6 números do totoloto da semana, nos 31 escolhidos, só garante 2 acertos, mas tantos – 15 – que a grande maioria das vezes resultará em três. (Os cálculos apontam para uma média de 2 três por semana).

ZABCDE...ZFGHIJ...ZKLMNO...ZPQRST...ZUVWXY…Z#$&£§
#AGMSY...#FLRXE...#KQWDJ...#PVCIO...#UBHNT
$ALWIT...$FQCNY...$KVHSE…$PBMXJ...$UGRDO
&AQHXO...&FVMDT...&KBRIY...&PGWNE...&ULCSJ
£AVRNJ...£FBWSO...£KGCXT...£PLHDY...£UQMIE
§AFKPU...§VBGLQ…§RWCHM...§NSXDI...§JOTYE

Cada um destes símbolos deverá ser transcrito para cada um dos 31 números com que vamos jogar – ao K fazemos corresponder o 18, por exemplo, ao A o 43, etc.

How many killings satisfy Bush?

14.4.04

Ganhar em baixa (32) 

Com a Bolsa a cair, isso sim, é difícil ganhar. Às vezes o mais importante é minimizar as perdas. Às vezes será aconselhável ir vendendo lotes de acções a perder, mas i-los comprando outra vez mais baratos. Vender 300 acções a 3 euros e voltar a comprar as mesmas 300 acções a 2 euros, dá para manter o mesmo número de acções e ainda ficar com 286 euros no bolso.
Não será aconselhável, no entanto, vender toda a carteira de acções ou sequer a maior parte dela, ao mesmo tempo. É que pode iniciar-se nessa altura a subida generalizada da Bolsa. Lote a lote, será mais prudente.
Para os kamikazes existe a «venda a descoberto»: - Alguém sem acções, convencido que certa acção vai descer, aluga acções a um investidor, sob fiança e contra uma taxa, vende essas acções, esperando comprá-las outra vez por menos dinheiro, devolvendo as acções, pagando a taxa e ainda lucrando. A fiança pode ser uma hipoteca da casa. Se o palpite estava errado, o kamikaze vai para debaixo da ponte.

Send the bad guys back home

13.4.04

Ganhar na calmaria (31) 

Na Bolsa deve-se ter uma «cave» como no poker, isto é, um valor fixo e limitado para manobrar. Jogar com uma «cave» infinita seria fácil – era comprar, comprar, comprar. Um valor limite obriga a exercícios de prudência e a tomar opções para não ficar encurralado, com todo o dinheiro empatado.
Convém ter uma margem de manobra de vários lotes – por exemplo, 5 lotes de 1000 euros.
Ao vender, pode-se não vender todo o lote comprado – pode-se simplesmente recuperar o valor investido e ficar com as acções remanescentes, para futura venda superior, ou 50-50, onde o lucro é dividido em 50% de cash e 50% de acções. Possuindo 200 acções que custaram 800 euros, tendo a cotação atingido os 5 euros, podem-se vender 180 acções que rendem cerca de 93 euros de lucro e ficar com 20 acções.
Para os grandes investidores, todos estes valores podem, é claro, ser multiplicados.

Iraq is not America

12.4.04

Ganhar (30) 

Ganhar na Bolsa não tem nada que saber – basta vender por um valor mais elevado que o da compra. O pior é que nem sempre é fácil. Ganhar quando a Bolsa está a subir, sim, é fácil. Basta esperar até que se precise de vender ou que a tendência de subida dê mostras claras de inversão. Mas, como dito atrás, há que ter cuidado ao comprar. Se a euforia já é grande, é melhor ficar de fora, ou comprar um lote agora, e só comprar outro quando o primeiro já cubra uma eventual descida de 8 ou 10%.
Ganhar quando a Bolsa segue estável é a situação mais simpática. Mesmo na maior estabilidade, as acções oscilam em valor. Realizam subidas e descidas moderadas. Há apenas que estabelecer percentagens aceitáveis para as transacções – por exemplo, comprar 1 lote quando a acção desceu 10% e vender 1 lote quando subiu 10 ou 12%. Isto por vezes implica comprar 1 lote agora, e outro ainda, se a acção ainda desceu mais 10 ou 15%.
Cabe aqui alertar para a questão do valor absoluto que as percentagens representam – se uma acção de 5 euros descer 20%, passa para 4 euros, mas quando a partir de 4 euros subir 20%, só sobe para 4,80 euros. Para subir outra vez para 5 euros necessita de subir 25%.

Leave Iraq to Iraqis

11.4.04

Hoje não devia ser feriado? 

Hoje é dia de Páscoa, um dia importantíssimo para os países católicos e no entanto, não é feriado. A rotina pré-desdobramento dos horários de trabalho em que os domingos eram naturalmente dias de descanso, estendeu-se até aos nossos dias. Ninguém achou necessidade de instituir o Domingo de Páscoa como feriado e assim, todos os que têm que trabalhar neste dia, ganham apenas um eventual subsídio de trabalho ao domingo. A não ser aqueles cujo sindicato fez constar na legislação laboral a excepção de que o Domingo de Páscoa será pago como dia feriado.

Leave Iraq for Iraqis

10.4.04

As comissões (29) 

Esta estratégia de compra e venda nervosa, sempre atenta aos pequenos indícios, obriga a muitas transacções. E estas não são grátis. Os bancos cobram comissões por cada transacção por si intermediada. Corre-se o risco que o eventual ganho seja todo devorado pelas comissões bancárias.
A CGD cobra 7 euros por cada transacção. Compra e venda duma acção ficam assim em 14 euros. Se alguém comprar 100 acções duma empresa a 5 euros cada, pagará 507 euros. Se se assustar com uma pequena descida e vender a 4,80 euros, receberá 473. Se comprar numa pequena subida e comprar a 5 euros, pagará 507. Se por fim vender quando as acções estiverem a valer mais 10%, dos 550 euros recebe 543. Feitas as contas, (-507+473-507+543), fica a ganhar 2 euros, isto é, 0.4%.
Não vale o risco. Qualquer certificado de aforro dá mais.
Se contarmos com outra comissão bancária – a de guarda de acções, perde-se dinheiro.
As comissões obrigam a ser parcimonioso nas transacções. E a tentar investimentos maiores, onde os 7 euros representem uma percentagem mais reduzida – 2*7 euros em 500, representam 2,8%, mas em 1400 já só representam 1%.

Stop the destruction of Iraq

9.4.04

Paixão 

Hoje recorda-se a crucifixão de Cristo. Essa crucifixão culminou um processo rápido, possivelmente injusto e com aplicação de sevícias físicas e morais.
Agora anda por aí um filme a tentar enfatizar o sofrimento sentido pelo sentenciado. Tem que tentar com afinco, porque aquele sofrimento individual comparado com outros sofrimentos individuais da História, fica evidentemente muito aquém, quer em profundidade de dor, quer em extensão temporal dessa mesma dor. A História está repleta de esfolamentos, empalamentos, mortes pelo fogo, por desmembramento, por emparedamento, com torturas terríveis e prolongadas ou tão «só» dezenas de anos em masmorras húmidas ou em solitárias. Sem falar dos sofrimentos colectivos, por exemplo, o massacre à catanada de 800.000 pessoas, há 10 anos na zona do Ruanda.
Referir aquele sofrimento só se justifica por se tratar duma figura do «jet set da História» e não dum qualquer anónimo que constará, quando muito, como uma unidade nas estatísticas.
Se referi-lo não se justifica, enfatizá-lo é ridículo.

Stop the killings on Iraq

Quando vender? (28) 

Há quem diga que não se deve ter pressa de vender quando a acção está a subir, nem ter pressa de comprar quando está a descer. Parece altamente razoável, para maximizar os ganhos na venda e fazer melhor compra na descida. «Melhor que vender bem, conseguir comprar bem é que faz o êxito do comerciante».
E a inversa, será aconselhável? Dever-se-á ter pressa de comprar quando está a subir? Por um lado, aproveita-se a subida desde o princípio. Por outro, corre-se o risco de comprar em todas as falsas promessas de subida.
E dever-se-á ter pressa de vender quando está a descer? Por um lado, corre-se o risco de estar a vender numa falsa descida. Associada com a pressa de comprar no início da subida, pode-se estar continuamente a perder dinheiro – comprar, vender mais abaixo, comprar mais acima, etc. Por outro, evitam-se os efeitos dos eventuais «crashes» da Bolsa ou das longas fases de baixa da acção.

7.4.04

Jogos coloniais 

O Middle Brother Tony Blair disse que não serão toleradas milícias no Iraque.
Poucas coisas terei aprendido com a Teresa Guilherme e ainda menos as que retive, mas ainda me lembro do que ela respondeu ao Rangel quando ele a ameaçou de não fazer mais programas para a SIC se ela fosse iniciar o Big Brother: Disse que achava muito bem que ele mandasse na casa dele – maneira subtil de dizer que na casa dos outros não podia mandar.
Do mesmo modo, todos estarão de acordo que Tony Blair não tolere milícias lá na ilha dele, mas no país dos outros… por quanto tempo conseguirá mandar?

Aqui (http://english.aljazeera.net/HomePage), poderá ler e ver como Blair e Cia. mandam no país dos iraquianos.

6.4.04

Quando comprar? (27) 

Deve-se comprar quando a acção está a subir ou a descer?
Ninguém sabe. Ou antes, ninguém sabe se ela vai continuar a manter o mesmo rumo ou se vai inverter a tendência.
Há quem faça gráficos e encontre certos pontos onde a acção costuma inverter a evolução – mas mais uma vez não é garantido que isso volte a acontecer.
Os que acreditam neste comportamento assistem à descida da acção e quando ela recomeça a subir, aí compram. Inversamente esperam que ela inicie a curva descendente e aí vendem.
Mas se a ameaça de inversão de tendência for rebate falso? Se se venderem as acções e elas continuarem a subir, deve-se esperar que voltem a descer ou deve-se voltar a comprar, desta vez por um preço superior ao da venda?
E se se comprarem acções e elas continuarem a descer? Deve-se vender a perder, ou manter empatado, sabe-se lá por quantos anos, aquele investimento?

5.4.04

Informação (26) 

Também em relação às empresas cotadas na Bolsa, há que fazer opções. Não colocar todo o investimento só numa empresa nem mesmo só num sector económico (cimentos, por exemplo).
Se não tem muito dinheiro, não comece por comprar acções de empresas fora do grupo das 20 mais transaccionadas – pode não arranjar comprador no dia que quiser vender.
As subidas e descidas das cotações desta ou daquela empresa não são aleatórias – têm geralmente alguma relação com as notícias relacionadas com a empresa e os seus negócios. Neste aspecto, a Bolsa assemelha-se ao totobola onde podemos recolher muita informação acerca de cada equipa. Experimente consultar a evolução das cotações, as análises e as notícias neste site.
Estar informado é importante, mas tome atenção, quando o facto for notícia já todos os investidores o tiveram em conta e ele já não vai alterar a cotação.
«Deve-se comprar no rumor positivo e vender na notícia», é um lema que muitos seguem, embora não seja garantia de ganhos – o rumor pode ser falso.

Investir na Bolsa é um risco (25) 

Não convém que venda pressionado pela necessidade, a perder dinheiro. Convém que possa vender segundo o seu plano e isso pode implicar ter que esperar alguns anos para vender. Por isso, analise as suas disponibilidades e respectivo calendário.
Não se deve investir na Bolsa mais que, digamos, um terço do dinheiro que se tem para aplicar.
Outro terço convém estar investido em aplicações de risco muito reduzido.
Isto, enquadra-se na conhecida regra de «não colocar todos os ovos no mesmo cesto». Se um «cesto» for destruído, restam outros e a «postura de ovos» não se perde completamente.

3.4.04

Jogos de Monopólio 

No tempo de Saddam, a gasolina era mais barata!

Especulação (24) 

Quando uma acção vai por aí acima cria a expectativa de que continue a subir. Uns investidores vão atrás dos outros e, tantas vezes, a acção continua a subir porque sim, porque os investidores acreditam que a acção vai continuar a subir, porque acreditam que há outros investidores que continuarão a querer comprar, porque a acção está a subir. É uma espiral viciosa.
Se bem me lembro, há poucos anos a PTMM foi iniciada a 27 euros, trepou vertiginosamente até aos 150 euros e depois derrapou. Há alguns meses estava a 8 euros. Para quem comprou a 150 euros, é o desastre.
Que fazer para o evitar? Como «jogar» duma maneira «segura»?

1.4.04

Sobrevalorização (23) 

Mas a Bolsa vive das expectativas dos investidores, mais que dos resultados das empresas. Um dos aspectos que valorizam uma acção é a sua expectativa de subida de cotação. Pode-se estar a pagar um preço enorme por uma acção que dá um dividendo irrisório, mas espera-se vender a acção por um valor mais alto que aquele pelo qual foi comprada.
Chega-se a situações em que o valor de todas as acções duma empresa é várias vezes maior que o da empresa, se esta fosse vendida. São situações artificiais, perigosas, só possíveis em conjuntura de euforia.
Pouco antes do 25 de Abril trocavam-se fisicamente as acções em papel na rua - toma lá dinheiro, dá cá papel. Chegava-se a pagar mais de 10 contos por uma única acção, cujo valor nominal não era superior a 1000 escudos – 10 vezes mais, portanto. Do BIP, por exemplo. E dez contos eram mais ou menos 1,5 salários médios.
Muita gente investiu em acções nessa altura, como em 87, como em 98 (?), desde o investidor endinheirado à velha que tinha um dinheirito de lado. Levantavam-se poupanças, aplicavam-se em acções dinheiros de empréstimos. Nessas alturas, parecia que a subida não ia parar.

As acções (22) 

As acções são uma espécie de certidões de propriedade. Provam que o seu detentor possui uma parcela da empresa a que a acção se refere. Tem por isso direito a tomar decisões sobre a empresa – cada x acções dão direito a 1 voto na assembleia-geral de accionistas. E sobretudo tem direito a receber os dividendos da empresa, quando os houver, isto é a parte dos lucros que tiverem sido destinados a ser distribuídos.
Deveria ser este dividendo que ao reflectir o bom ou mau desempenho da empresa deveria fazer a cotação subir ou descer, e que poderia ser cotejado com o juro que aquele dinheiro renderia se fosse antes posto em aplicações de juro fixo e certo. Dividendo superior ao juro – vantagem na aplicação naquelas acções – mais accionistas a querer comprar daquelas acções – aumento da cotação.

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