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Universos Assimétricos

Uma História de Agressão

30.10.10

Best of... Outubro de 2009 


Olha a novidade!

Saramago disse que o deus da Bíblia é vingativo, cruel, rancoroso, má pessoa.
Olha a novidade! Há mais de 30 anos que eu digo isso, desde que li o Pentateuco, essas irrisórias 200 páginas. E mais: mesquinho, parcial, sobranceiro, volúvel, cheio de todos os defeitos humanos. Pudera, é um deus idealizado por pastores. Não se esperava que tivessem concebido um deus provido de subtilezas diplomáticas.

Os vários estratos de ignorantes mostram-se muito chocados, porque nunca leram essas primeiras 200 páginas da Bíblia, e não sabem que o deus que lá está escarrapachado é tal e qual como diz Saramago. Os estúpidos vão mais longe e querem ostracizar o escritor. A estupidez sempre foi auto-demonstrativa.

Eu acho que já era tempo de que os que sentem necessidade de imaginar uma entidade toda-poderosa, a quem possam apelar para os beneficiar em relação aos seus semelhantes, criem um deus português, de brandos costumes, pronto a aceitar uma cunha, a fazer um jeitinho, a fechar os olhos a uma pequena sacanice. Nada daquela violência bombardeadora de cidades. Temos bons e suaves criadores, não precisamos de importar produto hardcore estrangeiro.

O problema é que as pessoas querem (precisam de) acreditar que há deuses e que a Bíblia fala de deuses realmente existentes. E fazem finca-pé de que o que lá está escrito responde a todas as questões que se põem ao Homem. Nos retardados Estados Unidos, há legiões de cretinos a querer impor a tese da Criação exposta na Bíblia, tentando calar o ensino do Evolucionismo. E algumas seitas tentam encontrar em cada passo do dito texto previsões para o futuro.

Há tempos fui sujeito a um vídeo penoso que tentava provar que a Bíblia estava repleta de relatos científicos onde, por exemplo, no relato de Jonas e da baleia, se fala já de submarinos e montanhas submarinas. E outros exemplos fatigantes. Senti-me então compelido a descrever o que é a ciência exposta na Bíblia. E relatei o método genético usado por Jacob, ao negociar a divisão dos rebanhos com o sogro.
Como ele ficaria com os borregos que nascessem malhados, e o sogro com os de uma só cor, espetou, junto aos bebedouros do gado, umas varas verdes a que retirou espirais de casca, para que as ovelhas, ao serem emprenhadas a olhar para as varas de duas cores, concebessem borregos malhados. É esta a explicação genética na Bíblia, uma explicação concebida por pastores. E as outras explicações são, compreensivelmente, também condizentes com o modo de vida dos que geraram as tradições orais fundadoras.

Fizeram o melhor que imaginaram. Mas não são culpados de que os remotos descendentes sejam tão limitados e acreditem que lá porque antigos pastores falaram de deuses, estes existam na realidade.

posted by perplexo  # 15:14

25.10.10

Fechar os olhos à inconsistência 



O anjo vai ajudar o menino Jesus e família a fugir para o Egipto.



– Podíamos voar, ultrapassar todos os perigos e chegar lá num instante, mas acho a viagem de mula muito mais pitoresca. Aliás, podia carregá-la pelo flanco, mas prefiro a abordagem traseira, que ela já não dá coices.



(Foto: azulejaria parietal no edifício do Museu de Arte Contemporânea de Elvas)


20.10.10

Os agiotas que nos pastoreiam 


Basicamente, o ramo de negócio dos bancos é a agiotagem. E nem sequer podem desculpar-se que são só os tontos sem controlo que os procuram. Durante anos, abordavam as pessoas em centros comerciais, usavam de mentira e dissimulação, telefonavam para casa das pessoas propondo serviços que elas não precisavam nem queriam. Quando um pobre tonto cedia e aceitava serviços que pareciam equitativos e leais, escamoteavam os juros agiotas que praticariam, caso o pobre tonto se atrasasse no pagamento da dívida que não precisava nem queria.

Ganharam e ganham milhões com estes processos fraudulentos, não lhes importando lançar na miséria os pobres tontos. Ironicamente, ultrapassaram limiares críticos – o conjunto dos pobres tontos já não consegue pagar a agiotagem dos bancos, pelo que estes já não conseguem lucrar os valores astronómicos que conseguiam.

O Governo, testa de ferro dos banqueiros e de outros oligarcas, resolve, então, intervir, para não deixar os bancos e os seus accionistas sem ganhos fabulosos. É por entidades destas, para lhes dar milhões, que o Governo nos diminui os vencimentos, embora elas continuem a ter centenas de milhões de lucro.

15.10.10

Hospital Real de Todos os Santos 




O hospital representado nesta maqueta foi mandado construir por D. João II em 1492, numa estratégia de centralização de serviços médicos e de assistência. Ocupava, grosso modo, a actual Praça da Figueira, ficando a sua frontaria voltada para o Rossio, e a imponente escadaria para a igreja mais ou menos no local dos edifícios onde hoje funciona a pastelaria Suíça, que na época não existiam. Foi destruído por um incêndio resultante do terramoto de 1755.

Algumas características:
• «A frontaria estava voltada para o Rossio e deveria medir cerca de 100 metros;
• O corpo do edifício estendia-se para norte, com uma arcaria contrafortada que encostava ao Convento de S. Domingos;
• A meio, sobrelevada e com uma escadaria de acesso, erigia-se a igreja, de fachada manuelina; a planta do edifício era em cruz, com a torre da igreja ao centro;
• No piso superior, três grandes enfermarias (a de S. Vicente, a de Santa Clara e a de S. Cosme) constituíam os braços da cruz, dispostas em volta do altar-mor;
• Esta estrutura cruciforme permitia aos doentes internados acompanhar diariamente os ofícios religiosos (e nomeadamente as duas missas, uma das quais celebrada por alma do fundador);
• No piso térreo, situavam-se os alojamentos do pessoal residente (cerca de meia centena de funcionários, incluindo o provedor);
• No piso inferior, ficaria ainda muito provavelmente a albergaria (ou casa dos pedintes andantes, com cerca de quarenta camas para ambos o sexos) e os demais anexos do hospital, incluindo a casa dos expostos, o refeitório, a botica, a casa da fazenda (ou secretaria), a cozinha e o forno;
• No seu vasto logradouro, encontravam-se as demais instalações e equipamentos necessários ao funcionamento do hospital: os lavadouros, as latrinas, as atafonas (ou moinhos), o pombal, a capoeira, a arrecadação da lenha e a horta;
• O hospital tinha ainda claustros com poços de água potável e cemitério privativo.»

Links importantes:

Texto de Luís Graça

Imagem esclarecedora


10.10.10

Unha com carne 


Bancos e Estados Unidos - a mesma ganância!

7.10.10

Os abusos dos bancos sobre os cidadãos 



Exmos. Senhores Administradores do Banco [um qualquer]:

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os usuários pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.

Que tal?

Pois, ontem saí do vosso banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.

Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no vosso banco.

Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.

Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito'-equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar

Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma ‘taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.

Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.

Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.

A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.

Mas os senhores são insaciáveis.

A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de v/. banco.

Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.

Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.


[Recebido por e-mail]

5.10.10

5 de Outubro 


Hoje é feriado em Portugal. Comemora-se a implantação da República.

Apesar de os mecanismos de eleição representativa gerarem alguns atropelos à Democracia, parece-me uma evolução positiva inegável que o representante máximo da nação aí seja colocado por eleições e não por sucessão dinástica.

Em Portugal, essa aberração foi extinta, faz hoje 100 anos. Viva a República!

2.10.10

O abuso já vem de longe 

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