Há uma semana fui ao concerto do Sérgio Godinho no Coliseu. Quando dei por mim tinha uma lagrimazinha ao canto do olho. Mas o que é isto? A música dele não é uma música lamechas. Não tem uma linha melódica certinha, tem até muitas aparentes desarmonias, adequadas a uma música que fala das desarmonias do nosso tempo, da nossa sociedade. Tem, é certo, a «marotice» dos meios-tons, que torna a melodia «rica», múltipla, «erudita», «espiritual». Ao contrário da música do nacional-cançonetismo e de quase toda a música «pimba» que vive do primarismo das notas principais.
A música dele é das que provoca «movimentos de alma». Uma hora depois, ainda eu estava a ressacar. De alma, que não de corpo.
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