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1.4.04

Sobrevalorização (23)

Mas a Bolsa vive das expectativas dos investidores, mais que dos resultados das empresas. Um dos aspectos que valorizam uma acção é a sua expectativa de subida de cotação. Pode-se estar a pagar um preço enorme por uma acção que dá um dividendo irrisório, mas espera-se vender a acção por um valor mais alto que aquele pelo qual foi comprada.
Chega-se a situações em que o valor de todas as acções duma empresa é várias vezes maior que o da empresa, se esta fosse vendida. São situações artificiais, perigosas, só possíveis em conjuntura de euforia.
Pouco antes do 25 de Abril trocavam-se fisicamente as acções em papel na rua - toma lá dinheiro, dá cá papel. Chegava-se a pagar mais de 10 contos por uma única acção, cujo valor nominal não era superior a 1000 escudos – 10 vezes mais, portanto. Do BIP, por exemplo. E dez contos eram mais ou menos 1,5 salários médios.
Muita gente investiu em acções nessa altura, como em 87, como em 98 (?), desde o investidor endinheirado à velha que tinha um dinheirito de lado. Levantavam-se poupanças, aplicavam-se em acções dinheiros de empréstimos. Nessas alturas, parecia que a subida não ia parar.

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