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Universos Assimétricos

Uma História de Agressão

31.5.04

Milagre da tecnologia 

O mundo contemporâneo está cheio de maravilhas, desde as tecnológicas às científicas. Se nos distanciarmos um pouco, não podemos deixar de nos admirar com a televisão a cores, a viagem à Lua, a clonagem. E a Internet, claro. A maior parte delas já não nos dizem nada, por tão integradas no nosso dia-a-dia.
Uma dessas maravilhas é o pneu. Sim, o pneu. Tão simples, tão «rastejante» e no entanto suporta coisas inimagináveis. Já pensaram a pancada que representa passar uma pequena rugosidade do pavimento a 150 Km/h? E o pneu não só aguenta essa, como centenas de outras, numa viagem de 300 Km. E aguenta 100 ou 200 dessas viagens, além das tampas de esgoto, das pedras, dum ou outro buraco. As subidas de passeio, para arrumar, devem ser extremamente traumáticas e no entanto, depois de 3 anos a subir passeios, lá vai ele a 150 Km/h.
É admirável! Não deixa me surpreender!

Bush has Saddam’s pistol exposed as a trophy. Is this civilized?

posted by perplexo  # 23:04

Alegria sem raiva 

Hoje vi de longe alguns momentos dum jogo de futebol de sub-21. Agradou-me a maneira positiva, genuinamente alegre como um jogador – H. Almeida festejou um golo: Correu, abriu os braços, saltou, rodopiou, numa demonstração de como é uma manifestação bonita de júbilo. Também o Pauleta se manifesta de maneira bonita de ver.
Se é certo que quase todos se esquecem dos colegas, em que o caso do que passou a bola é o mais prejudicado, outras manifestações de machismo boçal e individualismo são verdadeiramente deploráveis. Levantam a camisola para mostrar uma frase ou uma marca, ficam em tronco nu, apontam para alguém e batem no próprio rabo, numa manifestação de referência sexual, como outra que fazem avançando e recuando violentamente o braço de punho fechado, numa analogia com o pénis e a penetração. Isto tudo com uma expressão fisionómica de cobrança de vingança.
Ganhar e alegrar-se não exige humilhar o adversário.

Why 4.000.000 palestinians can’t return to their homes?

30.5.04

Joker 

Já muita tinta se gastou em teorias sobre os «Painéis de Nuno Gonçalves» e muita mais se vai gastar. Aqueles 6 painéis são um quebra-cabeças que não cede aos mais argutos «masters-mind» da História da Arte. Há vários documentos, muitas teorias, muitas tentativas de interpretação e algumas convicções, mas não se tem a certeza absoluta de quem está representado, que significado têm vários aspectos da pintura, onde foi implantada, com que ordem relativa e se o conjunto está completo ou faltam tábuas.
Só dum aspecto vou falar: pela perspectiva que os ladrilhos representados nos 6 painéis indicam, esta disposição actual estaria correcta, mas as figuras do 2º painel a partir da esquerda – o dos pescadores – estão iluminadas da esquerda para a direita, enquanto os outros 5 painéis têm as figuras iluminadas da direita para a esquerda. Portanto, apesar do resto e a não se admitir uma fonte de luz diferente para os representados, o 2º painel é «uma carta doutro baralho». A não ser que o Nuno Gonçalves fosse um Joker.

The US must give back the art pieces, stolen from the Bagdad Museum


29.5.04

Preconceitos? 

Ouvi na Antena 1, como poderia certamente ter ouvido em dezenas doutros meios de comunicação, que os americanos escolheram o novo Primeiro-ministro para o Iraque - «um muçulmano xiita». Não me lembro o que a Antena 1 disse na altura das eleições americanas, mas deve ter sido algo do género: depois de dois meses de polémica, foi dado como vencedor, «um cristão metodista».

Iraq is, probably, a huge Abu Ghraib

28.5.04

Perguntas 

É militarmente aceitável ou inaceitável, mesmo militarmente, que se lancem bombas com urânio empobrecido sobre o Iraque? E sobre a Sérvia?
Justifique.


Najaf is finally free. Is it?

27.5.04

Perguntas 

É aceitável ou inaceitável que haja pessoas que, façam o que fizerem, não possam ficar sob a alçada do Tribunal Penal Internacional?
Justifique.

Why the US soldiers are above the TPI?

26.5.04

Período para perguntas 

É legítimo ou ilegítimo dizer que os que usam a força, para combater os ocupantes militares do Iraque, são terroristas?
Justifique a resposta.

The Iraqis love their childreen, too

24.5.04

Período para perguntas 

É legítimo ou ilegítimo comparar a prática do regime de Hitler em relação aos Judeus, com a prática do regime de Sharon em relação aos Palestinianos?
Justifique a resposta.

The Iraqis enjoy weddings, too

Período para perguntas 

Se hoje fossem encontradas armas de destruição maciça no Iraque, a invasão americana passava a ser legítima?
Justifique a resposta.

Which is the only country that has fired nuclear weapons against people?

23.5.04

Deixem-me ser incoerente, hoje 

Deixem-me dizer que gostei da boda dos Espanhóis. Gostei de me iludir com as imagens de calma, de ritual ao gosto da Europa do Sul, de pompa digna e não arrogante. Gostei de descansar das imagens dos carros a arder, das multidões a fugir espavoridas, das pessoas nuas arrastadas pelo capuz.

Nobody expected the american Inquisition

21.5.04

A Tv Cabo tem práticas desonestas 

Experimentem ligar para o número de apoio a clientes da Tv Cabo: - 707 299 499. Ou antes, não liguem, porque é uma linha de valor acrescentado e eu não quero ser o responsável pelo desperdício do vosso dinheiro em actividades viciadas. Acreditem em mim.
Começa-se por ouvir um grande chinfrim produzido por um anúncio à Internet da Tv Cabo.
Relembro que esta é a linha indicada nas facturas da Tv Cabo para apoio aos clientes, única linha disponível para reclamar alguma falha de sinal geral de vídeo ou de algum dos canais que a Tv Cabo emite.
Está a Tv Cabo interessada em servir os seus clientes? Aparentemente, não. Porquê? Porque em vez de lhes agradecer pelo aviso das deficiências do seu serviço, ainda lhes põe uma linha telefónica de valor acrescentado.
Não satisfeita com essa burla, ainda se obstina a roubar mais uns segundos de ligação telefónica, não com algo que sirva o cliente, mas com um anúncio dela própria.
Depois a menina que atende faz uma longa lista de perguntas, desde o nome e o número de cliente, até à morada e ao telefone.
Se o número de cliente é mais do que suficiente para identificar o cliente, associado ao nome não deixa quaisquer dúvidas. As outras perguntas têm o objectivo claro de fazer passar tempo e ludibriar o cliente em mais umas dezenas de segundos.
É muita mesquinhice. É muita safadeza. É muita desonestidade.

Alguém me indica uma entidade credível onde eu possa apresentar queixa, para tentar acabar com estas práticas desonestas?

The Iraqis are not cattle

20.5.04

Não há esperança 

Li há pouco, no rodapé das notícias, que Kerry prometeu retirar as forças de combate do Iraque até ao fim do primeiro mandato. Como? Terei lido bem?
- Kerry prometeu retirar – ok, é o mínimo que se espera, que a oposição democrata corrija os erros do capo di guerra.
- as forças de combate – bem, se calhar pretende deixar forças de apoio administrativo ou de reconstrução.
- até ao fim do primeiro mandato. – ai a merda!
Isto corresponde a uma declaração de prossecução da política de Bush. Que sempre pode sofrer um acrescento de umas décadas à medida que os prazos anteriores forem caindo.
Já há tempos ele tinha declarado que Israel tem o direito de se defender, como se não fosse Israel o atacante e a causa dos problemas na região.
As eleições americanas não trazem nenhuma esperança. Entre Bush e Kerry, quase nada vai mudar. O problema não é de partido, é de país.
Os povos só podem contar com as suas próprias forças para se livrarem do flagelo. As soluções políticas e diplomáticas estão-lhes vedadas. Muita e muita gente vai morrer até os povos readquirirem alguma dignidade.

Teresa Heinz behind President Kerry, a remote hope?

19.5.04

Ameaça real 

Segundo ouvi há dias na CNN, dependem de Rumsfeld 2 milhões e meio de pessoas, soldados sobretudo, penso eu.
São 2 milhões e meio de pessoas dispostas a disparar sobre outras ou a pensar a forma de destruir as outras. E que não são só forças de defesa, são forças que não se limitam a defender o seu território, mas se espalham pelo mundo atacando e ocupando o território dos outros povos.
Se isto não é uma ameaça para a paz mundial, é o quê?

How many countries have militar bases in the United States?
(Hot question by Saramago)


18.5.04

Assim vai o Mundo… 

Sharon mata palestinianos, Sharon destrói as casas dos palestinianos, Sharon eleva o clima de ódio no Próximo-Oriente a níveis raras vezes alcançados, Sharon está envolvido num caso de corrupção.
Sharon está indiciado por crimes de sangue? Não, só por corrupção. É mais fácil perseguir Sharon por roubar uns milhões de dólares que por matar pessoas.
A vida das pessoas está em baixa!

Even Hitler has died, even Sharon will join him

Premonição 

Há tempos apercebi-me que o bilhete de Metro de 10 viagens, que costumo comprar, tinha passado de 5,10 para 6 euros. Isto representa um aumento de 17,6%. Porra!
E todos os outros tipos de bilhete do Metro tiveram aumentos dessa ordem.
Será que o Metro aumentou os vencimentos dos seus trabalhadores em 17,6%? Alguém neste país foi aumentado 17,6%?
É certo que o petróleo aumentou. É certo que a linha de Metro está maior.
Mas o aumento de serviço prestado é objecto de cobrança extra, porque a viagem até Odivelas ou para lá da Pontinha exige um bilhete de preço superior.
E o aumento de preço dos bilhetes do Metro aconteceu antes dos americanos começarem a levar na corneta lá no Iraque e a perderem a ilusão de sacarem petróleo mais barato. Premonição?

Leave the Gaza strip, don’t destroy it

17.5.04

Erro ortográfico 

No planeta Sinalet 6, a Direcção Geral de Estradas do Iraque lançou uma campanha de prevenção rodoviária, mas, talvez influenciada pela maneira como os Iraquianos têm sido tratados nos últimos 13 anos, todos os painéis apresentam um pequeno erro, cheio de significado. Cada painel previne: Seja prudente – evite o ocidente.

Shame on you, America

16.5.04

Compaixão 

Tentando minimizar a onda de revolta que atravessa o mundo, sobretudo os países árabes, pelas sevícias infligidas a prisioneiros de guerra iraquianos por soldados americanos, Bush deu uma entrevista a canais de televisão árabes. Nela, fez o choradinho do democrata, dizendo que a América é um país de compaixão, entre outras baboseiras.
Deve estar tão habituado a que os órgãos de comunicação social ocidentais engulam todas as patranhas, desde que tenham rótulo ocidental, que devia estar à espera que a receita também funcionasse nos países árabes.
É possível que os espectadores árabes não tenham presentes quantas dezenas de sentenças de morte Bush confirmou, enquanto Governador do Texas, ou se sequer concedeu alguma comutação de pena de morte, para avaliarem da sua compaixão. É difícil é que não tenham bem presente o volume de milhares de mortes, sobretudo de crianças, que o embargo americano de 10 anos ao Iraque provocou, tão só por motivos políticos, tão só para enfraquecer o regime de Saddam, na esperança dum descontentamento geral.
É caso para dizer que quando o mundo árabe ouve falar em compaixão americana, vai a correr refugiar-se no abrigo mais próximo.

Fair trials for Saddam and Bush

14.5.04

Arma secreta 

O «administrador americano do Iraque!?$», Bremer, disse que os americanos irão retirar do Iraque mais cedo que o previsto, porque, diz ele, não querem manter-se onde não são bem-vindos.
Parafraseando este vizinho, «neste planeta, é Carnaval todos os dias». E parece que Bremer pretende matar os resistentes iraquianos… de riso!

Mercy, don’t make me laugh so much

Cuidado! 

As críticas à actuação americana vêm de todos os quadrantes. Cada vez mais personalidades manifestam preocupação pelo rumo que as coisas tomaram. A Administração americana segue mesmerizada por vias que violam a justiça, a liberdade e os direitos humanos, sem dar ouvidos às críticas. E a oposição interna mal se faz ouvir. Este cenário não é novo. Corremos o risco de ficar todos em perigo.
Na Visão desta semana, John le Carré avisa: Os States «estão só a uma guerra ou a umas eleições de se transformarem naquilo a que chamamos Fascismo».

Watch out!

13.5.04

Faltei a essa aula de programação 

Quando usei caixas Multibanco, após a introdução do Euro, rapidamente me apercebi que as máquinas raramente, muito raramente, tinham notas de 5 euros. Rapidamente desisti de tentar levantar quantias terminadas em 5.
Às vezes fornecem notas de 5 euros, mas sem necessidade. Levantam-se 40 euros e vêm 4 notas de 5 euros, mais 1 nota de 20. Selecciona-se, noutra máquina 25 euros (nunca experimentei na mesma), e a máquina invariavelmente não tem 5 euros. E não raras vezes só tem notas de 20.
Talvez as máquinas sejam carregadas por um processo aleatório: hoje está sol - não há carga de notas de 5; hoje está nublado - não há carga de 5 nem de 10. Ou então, com os mesmos quilos de notas carrego 4 vezes mais máquinas. E vou para casa mais cedo e menos cansado.
A sério, não creio que as pessoas esgotem por livre vontade as notas de 5 euros. Creio que o que se passa é só má programação, a tal que me dá muitas notas de 5 euros sem eu pedir e não me dá 1 nota de 5 quando a peço.

If Al-Sadr wants to die as a martyr, as he says, Rumsfeld is the right guy to help him

12.5.04

A pior síntese de Édipo e Electra 

As pessoas de língua inglesa devem ter conflitos mal resolvidos com os progenitores. As pronúncias de Mammy e mummy são tão idênticas, assim como as de Dad e dead, que podemos suspeitar que a ambiguidade poderá ser a emergência furtiva dum conflito freudiano/jungiano de tipo colectivo.

The main responsibles are Dad Bush and Mammy Barbara

11.5.04

Actores e canastrões 

Quem observar como dizem e o que dizem os que restam do Bando dos Quatro, acerca das sevícias sobre prisioneiros iraquianos, apercebe-se de alguma diferença na composição da personagem. Enquanto Barroso e Blair têm uma excelente representação de verdadeira repulsa pelo que tem acontecido, Bush tenta compor uma personagem mais complexa – uma que além de dizer que a coisa está errada, ainda deixa perceber outra personagem sotoposta, a do Presidente do mais poderoso país do mundo:
(Lá em casa somos os campeões dos direitos humanos, mas as crianças às vezes excedem-se… Mas, que diabo, nós é que damos o pão e a educação, estamos um pouco acima dessas coisas e é para bem deles…)
Já o seu homem de mão, Rumsfeld, não finge nada. É um canastrão.
(Que chatice! Pois, pois, essa coisa dos prisioneiros iraquianos. Tá bem! Mas, será que ninguém percebe que são apenas iraquianos? Pois, mandaram-me vir aqui pedir desculpa, pronto, já pedi. Agora tenho que ir almoçar!)

Fair trial for Rumsfeld

9.5.04

Semear ventos 

Exceptuando 1 dia – 11 de Setembro – os Estados Unidos têm conseguido manter a guerra fora do seu território, levando-a por seu lado a dezenas de outros países, quer directamente – Iraque, Afeganistão, Somália, Cuba, Panamá, Coreia, Vietnam, etc., etc., quer através de grupos por si financiados – Angola, Chile, Afeganistão, Palestina, Nicarágua, Kosovo, Venezuela, etc., etc. Qualquer país estável e não subserviente, é um país a desestabilizar, ora espicaçando a oposição, ora estabelecendo um embargo, para criar descontentamento. Onde houver guerra, há venda de armas. A venda de armas é o sector económico que maiores lucros gera.
Mas esta política americana é um risco para os próprios States. O ressentimento mundial ou tão só o ultrapassar duma massa crítica de armas, pode levar a guerra ao país que representa a maior ameaça à paz mundial.
Se algum dia a guerra se instalar com carácter de permanência adentro das fronteiras do Grande Produtor, tomará este então consciência do que tem andado a espalhar?

Warriors, leave us alone


8.5.04

Palhaçada 

Rumsfeld diz que assume toda a responsabilidade pelas humilhações, as sevícias e os assassinatos de iraquianos às mãos de americanos nas prisões do Iraque.
O que é que isto significa? Demitiu-se? Vai indemnizar do seu bolso as famílias dos assassinados? Deu-se voluntariamente à prisão? Vai dar ordens para ser julgado em tribunal marcial?
Não. Ele é que decide se há razão para se demitir ou não. É juiz em causa própria. Nem sequer se demite.
A assunção de responsabilidades por um gajo tão poderoso, é uma palhaçada.

May their souls forgive him

7.5.04

A importância da democracia 

A democracia tem um enorme prestígio. Todos os democratas e todos os ditadores enchem a boca com ela, cientes de que é a palavra mágica para captar o voto dos cidadãos. Tanto se reclama dela a Suécia como os Estados Unidos, como Israel. Que importância tem ela?
A democracia é um regime que dá algumas esperanças ao cidadão de poder influenciar o rumo político do seu país, porque através do voto dito livre, pode alterar o grupo partidário que está no poder, penalizando o grupo cuja gestão do país se torne problemática.
A democracia é importante para os cidadãos dum país, como os Estados Unidos. Mas, que importância tem a democracia dos Estados Unidos para os cidadãos dos outros países? Nenhuma. Estar lá o Saddam ou o Bush, que diferença faz? Na prática, um pequeno grupo (cerca de 50% dos votantes dos Estados Unidos), decide dos destinos de uma vasta maioria (os habitantes dos outros países), que não tem poder para destituir o partido que está no poder nos Estados Unidos. É uma versão ainda mais gritante que a que existia na Grécia onde o pequeno grupo dos cidadãos-homens, decidia do destino da maioria, onde se incluíam as mulheres e os escravos sem direito a voto. Uma democracia, para o grupo exterior a ela, pode ser uma ditadura da minoria. E frequentemente, igualmente mortífera. Veja-se esta contagem de civis mortos no Iraque. Pertenciam à maioria sem voto e foram vítimas dum grupo minoritário – os votantes dum país longínquo.
E estes votantes vão alterar o próximo voto? Não é seguro. Para estes votantes, está tudo bem - o regime é uma democracia e o seu partido está a tratar de arranjar gasolina barata lá longe.
De que serve aos Palestinianos que Israel seja uma democracia? Na prática das suas vidas, é um regime sanguinário, que manda no seu país, instala-se nos seus campos, mata os seus irmãos, lança mísseis sobre os dirigentes que escolhem e não podem escolher os dirigentes dessa dita democracia que manda no seu país.
Estas democracias, a nível global, subvertem completamente o conceito de democracia, que deveria ser o governo da maioria. Ainda hoje, 7 de Maio, a maioria – quase todos os países do Mundo representados na ONU – reafirmou que os Palestinianos têm direito à soberania sobre os territórios palestinianos (um pleonasmo), mas a minoria – Israel e Estados Unidos – rejeitou essa reafirmação. Mais uma vez a minoria a subjugar a vontade da maioria.
De que serve uma democracia nos Estados Unidos?

How can I vote against Rumsfeld?

6.5.04

Boas intenções (11) 

O discurso de vitória de Vasco Gonçalves foi antes um discurso de mágoa pelos que queriam travar o processo democrático. Foi um discurso fervoroso, como quase todos os que fazia, animado duma espécie de visão messiânica de que também se sentia animada grande parte dos militares do MFA. Alvos de sucessivas missões no Ultramar e alguma incompreensão primeiro, viam-se de repente ovacionados por todo um país.
No calor do discurso e para terminar com uma mensagem condizente com o ambiente de empenhamento geral, apelou para que todos fossem trabalhar no feriado do 5 de Outubro, daí a dias.
Assim fiz, eu e milhares de outros, penso eu. No fim do mês, procurando saber se era eu que entregava o valor do dia de trabalho ou a minha empresa tratava da sua separação, apercebi-me que nada estava organizado nesse sentido. Foi assim que eu e muitos outros recebemos horas extraordinárias pagas pelo dobro do preço, por ser feriado, em vez de trabalharmos graciosamente, como eu supunha.

Wolfowitz and Sharon – the same struggle

Maioria silenciosa (10) 

Com Spínola na Presidência e Vasco Gonçalves como Primeiro-Ministro (o 2º), se atravessou o verão de 74. Em Setembro, apareceu uma convocatória anónima para que a maioria silenciosa do país viesse a Lisboa manifestar o verdadeiro sentir dos que não fazem barulho e que os convocantes (presumivelmente o grupo de Spínola) esperavam que fosse de desagrado pelo caminho que o país ia tomando. A esquerda, militar e civil, viu nesta jogada um perigo reaccionário e fez barragens nas entradas de Lisboa, que revistavam os milhares de carro que voltavam de fim-de-semana, naquela noite de 27 para 28. Temiam a entrada de armas e um golpe sangrento. Face às críticas veladas e directas, (e ao falhanço da iniciativa?), Spínola demitiu-se, lançando ainda um discurso patético a alertar para perigos tenebrosos.
Foi substituído por Costa Gomes o outro general de 4 estrelas, que já fazia parte da Junta e que também tinha sido crítico dum «beija-mão» promovido por Marcelo Caetano aquando do Golpe das Caldas de 16 de Março.

When Colin Powell takes his boots off, the whole Pentagon fears that a chemical attack has been launched

4.5.04

É suposto ser uma piada à juventude da esposa 

As limitações de movimentos impostas a esta libertação de Carlos Cruz não impedirão a consumação de actos pedófilos, antes pelo contrário. Ele está obrigado a permanecer em casa, mas é justamente em casa que a mulher está…

Dick Cheney’s shampoo is Dystron

Independência informativa 

Sempre gostei de elogiar um serviço, quando acho que excede as expectativas, quer seja uma refeição, quer um serviço público. Não acho bem manter o silêncio nestas situações, com o argumento de que serviço elogiado é serviço que baixa de qualidade.
Sempre tenho sido bastante crítico da informação que em geral se pratica em Portugal, por achar que é muito subserviente em relação ao ponto de vista americano. No entanto, ultimamente, tenho notado que há uma maior independência e que entre os jornalistas que tenho por intelectualmente honestos, quase todos tentam manter uma posição de não adesão imediata ao discurso americano.
Infelizmente, não creio que o mérito seja todo deles, antes acho que as posições americanas são tão indefensáveis, que é suspeito defendê-las, são tão demagógicas, que toda a gente se apercebe das tentativas de manipulação e que portanto o jornalista que nelas «embarcasse» corria o risco de parecer estúpido.
Este exercício de independência forçada, ainda que lhes possa causar estranheza nesta fase inicial, pode criar brios deontológicos e instalar-se como análise crítica genuína. Assim espero.

The bad guys must leave Iraq

2.5.04

«O que se passa aqui, que tudo está tão diferente…?» (9) 

De repente as coisas eram diferentes. Interessava mais o ser que o ter, havia que ser solidário e não competitivo, havia que participar activamente nas tarefas que eram de todos, a alfabetizar, a esclarecer, a ajudar em qualquer aspecto da vida colectiva da sociedade, nem que fosse só colar cartazes, gerir a pequena associação cultural ou participar nas manifestações.
De repente, o que se tinha aprendido estava desactualizado. As relações políticas, sociais, familiares e até pessoais pautavam-se por outras normas. Havia a sensação que era preciso desaprender tudo e aprender tudo de novo. Lia-se Engels, Lenine, Marx, Mao, Wilhelm Reich. Livros com títulos como «O que é a consciência de classe?», «A conquista do pão» ou «A origem da família da propriedade e do Estado», andavam por algumas mesas-de-cabeceira. Aprender, aprender, recuperar o tempo perdido, era preciso.

Condoleeza naked, scares the fear

1.5.04

A náusea americana 

As recentes notícias de sevícias e humilhações sobre os prisioneiros iraquianos (cujo crime terá sido defender o seu país), não me surpreendem. Nem a mim nem a quem tenha visto imagens da invasão do Iraque. Ver disparar a matar sobre normais camiões de mercadorias e automóveis de civis, deu bem a noção de que não estamos perante pessoas bem formadas, mas assassinos, que por acaso estão integrados num exército ocidental. Podiam andar a assaltar bombas de gasolina, a queimar sem-abrigos ou a disparar do alto de edifícios sobre os transeuntes lá nos States. Os States aproveitaram-nos para varrer iraquianos da face da vida. Porque para os States, os Iraquianos são um empecilho para chegar ao petróleo. Porque quem está no comando dos States são fanáticos incultos, bárbaros sem moral, nem dignidade. Vale tudo, desde manipular votações na Flórida, a mentir sem vergonha sobre o Iraque, desde que isso sirva para atingir os seus obscenos objectivos. Não percebem que isso lhes traz vitórias no imediato, mas derrotas a prazo. A memória das gentes não é assim tão curta.
Fanatismo e atrocidades – receita ocidental, quer dos americanos, quer dos cruzados de há 900 anos. Os que chamam novos cruzados aos americanos, não andam longe da verdade.

Peace on Iraq, not piss on iraqis

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