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Universos Assimétricos

Uma História de Agressão

31.10.06

Bota abaixo 


Anda por aí um concurso, ou lá o que é, que pretende eleger o «maior português».
É um programa de mentalidade Guiness – o maior isto ou o mais aquilo – que parece radicar num aparente complexo de pequenez dos portugueses. Valoriza apenas, injusta e injustificadamente, o valor individual, em detrimento do esforço colectivo, como se o grande homem não se elevasse acima da turba por se apoiar nos ombros dos seus contemporâneos e dos seus antepassados.

Não será por acaso que este programa é apresentado por alguém de pequenez comprovada, quer pela mal disfarçada parcialidade política, profissionalmente, quer pelo oportunismo revelado na passagem meteórica pela política activa. Um cagagésimo com pernas.

P.S.(20:35 h.): Às vezes, ceder ao «Lado Negro da Força» é a única coisa que sabe bem!

posted by perplexo  # 03:58
Comments:
Um cagagésimo com pernas!!! :-)))))
Tu lá sabes !!!

Tb detesto esta ideia de eleger o maior português. Acho q basta ter dois dedos de testa para detestar esta iniciativa.

Beijos
 
Não voto nem colaboro!
É para mim intoleravel que eu mesmo não conste da lista dos propostos.
 
Concordo inteiramente contigo tanto o concurso como a dita gaja estão um para o outro, ambos são uma adulteração de uma coisa que podia ser gira.
Um abraço. Augusto
 
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30.10.06

Best of... Outubro de 2005 


Gripe das aves – 4

A sociedade contemporânea já não se rege exactamente pelo sacrossanto preceito capitalista do equilíbrio proporcionado pelas pressões da oferta e da procura. O desenvolvimento tecnológico gerou uma explosão de produção de bens, os mais variados, que não podia simplesmente esperar que o cliente sentisse necessidade de um produto e o procurasse. Havia que lhe criar necessidades.
Assim, criaram-se mecanismos que pudessem influenciar, seduzir, manipular potenciais clientes e levá-los a adquirir mesmo o que não precisassem ou até nem quisessem. Os esforços da publicidade, com métodos cada vez mais sedutores e/ou agressivos, e na qual se gastam rios de dinheiro, vão conseguindo escoar as mais díspares e supérfluas mercadorias.

Mas a lógica capitalista é a do crescimento. Seduzir e manipular, às vezes, já não chega. É preciso abrir as fronteiras doutros países, quer fazendo acordos comerciais, quer impondo preços, empresas e modos de vida, quer fazendo a guerra e impondo regimes mais favoráveis.
O melhor meio de vender continua, no entanto, a ser a necessidade real que o cliente possa sentir por um determinado produto. E, num mundo onde não há ética nem legalidade mas só bons e maus negócios, podemos conjecturar o impensável: que haja quem lance terríveis e mundiais ameaças à saúde para auferir enormes receitas na luta farmacológica contra as pandemias geradas ou contra a possibilidade de infecção. O Antrax enviado a várias pessoas no rescaldo do 11 de Setembro, mas de que não mais se falou, pareceu uma tentativa clara de vender antídotos em larga escala, num contexto de medo generalizado, mas abandonada por ter sido desmascarada e abafada ou simplesmente abandonada pelos mentores por motivos desconhecidos.

A SIDA a BSE e a Gripe-das-Aves são terríveis doenças que passam dos animais para o Homem, para escapar das quais, ou fazer escapar a produção animal e a economia, quer os cidadãos quer os Governos estão dispostos a gastar somas astronómicas.
Eu não sei se esta tese tem ou não alguma ponta de verdade, mas enquadra-se perfeitamente na actual mecânica do mundo contemporâneo. E, infelizmente, muitas vezes, o que parece é.

29.10.06

Livro 

Ontem vi um livro com o seguinte título: O que fazer depois de morrer

Não o abri, mas pensei: Ora aí está um assunto com o qual devemos preocupar-nos. É, com certeza, fundamental que cada um programe meticulosamente e com antecedência as actividades que vai praticar depois de morrer para que, quando chegar a altura, não fique para ali indeciso e enfadado sem saber como ocupar o tempo!

Comments:
E eu que sou tão metódica ... e ainda não tinha pensado nisso!
Beijos
 
Suponho que o conteúdo dessa obra será a preparação do segundo número da série: "Que fazer quando renascer"!
 
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28.10.06

Ténis 


O meu amigo estava confundido mas intimamente cheio de orgulho.
Uns dias antes, aderindo à onda de entusiasmo pela modalidade que se gerara na empresa, também ele queria conhecer as regras do ténis, saber se não ficaria com um braço mais musculoso que o outro, saber quanto custava o aluguer dum campo e outras preocupações próprias de um principiante. Comprara uma raquete de ténis na véspera e naquela manhã de princípios de noventa viera jogar comigo a sua primeira partida de ténis de campo, ali para os lados do Lumiar. E, passados uns jogos, estava a ganhar-me, apesar de eu já ter um ano de experiência com muitas partidas disputadas. O meu amigo, surpreso, não pôde evitar comentar:

- Afinal, isto é mais fácil do que eu pensava!

Foi nessa altura que eu deixei de me preocupar com as assimetrias musculares e anunciei:

- Tenho estado a treinar a esquerda. Agora, vou passar a jogar à direita!

27.10.06

Ocaso no Iraque 


O sucesso ainda é possível – dizem os americanos.

Já vi deprimidos suicidas com mais esperança no futuro!

26.10.06

Best of... Setembro de 2005 


O capitalismo meteu água

O mais chocante no pós-Katrina não foi o enorme grau de destruição que este furacão causou em New Orleans e noutras cidades. Para a maior parte das pessoas, foi perceber o incrível grau de falta de organização e de resposta a catástrofes, no país supostamente mais preparado, não só devido a ser tecnologicamente o líder mundial, como por ter habitualmente furacões a farejar-lhe as costas. Até países do 3º mundo ou os da tão criticada economia planificada, conseguem melhores resultados. Boaventura Sousa Santos diz na Visão: «Quando o tsunami assolou a Ásia, o socorro chegou em 24 horas. Quando, no ano passado, Cuba foi varrida por um violento furacão, o Governo evacuou mais de um milhão de pessoas, sem uma única perda de vidas».

Parece que o capitalismo e os seus mecanismos automáticos de regulação não funcionam no que excede o que é passível de ser mercadeado. Aqui, tratava-se, não de regulação de mercado mas de regulação de esforços colectivos e muita solidariedade. Da mesma solidariedade que faltou a algumas fatias da população que, em vez de procurar ajudar os seus concidadãos, aproveitaram para os assaltar e violar. E que, em vez de ajudar as equipas de socorro, disparavam sobre elas e assaltavam ambulâncias e hospitais para roubar os medicamentos que pudessem ser usados como drogas. É este o homem que o capitalismo está a criar?

Dá que pensar que, apenas se abateu sobre aquela zona uma catástrofe que rompeu a habitual organização social, faixas da população caíram imediatamente «no salve-se quem puder», na lei do mais forte, na barbárie.

Aconteceria o mesmo em Portugal? Está a nossa organização social tão pouco afastada das cavernas?

Comentário colocado então por JC Duarte :

O problema é que a actual sociedade está organizada em míriades de sociedades de um só indivíduo. Estas têm cotação em bolsa, a bolsa de cada um. E entre estas sociedades acontecem “Operações Hostis de Compra”, em que cada uma quer comprar a outra, à revelia da sua vontade.
Numa organização social que se ergueu com base no conceito do “Salve-se quem puder” e “Eu vou ver se posso e à força de bala”, é natural que estas situações prevaleçam.
Para citar Eduardo Mazo: “No dia em os EUA tiverem um presidente preto, os voos charter a Plutão serão baratos!”

Comments:
Claro que Portugal não pode fugir à regra do "salve-se quem puder", quando já hoje em dia se verifica, "roubem o que puderem" mais precisamente "roubam tudo o que podem" e nós a ver.
Um abraço. Augusto
 
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25.10.06

«Espero que o meu silêncio não incomode a vossa conversa» 


Uma biblioteca é um local mágico onde se encontram e visitam os mundos mais inesperados, como aqui disse em 27-1-06. E, embora se possa ler com agrado num café ou noutro local barulhento, numa biblioteca espera-se e exige-se silêncio, porque ler sem barulho é a actividade de eleição desse local. Isto não é respeitado por toda a gente, sobretudo em bibliotecas escolares, quer porque se entende que a conversa que se está a ter «de certeza que não incomoda ninguém», quer porque, às vezes, as estantes não permitem ver que a sala está cheia de pessoas, apesar de não se ver nem ouvir ninguém.

Há talvez um ano, estava eu a tentar concentrar-me na leitura de um livro numa dessas bibliotecas, comecei a sentir-me desassossegado pelo falatório de um trio a uns metros de distância. Pedi silêncio, talvez cutucando a mesa. A conversa passou a ser feita em surdina, mas daí a pouco já estava outra vez em nível desagradável. Então, puxei do telemóvel, seleccionei uma melodia e accionei-a. Levantei-me, dirigi-me ao grupo com o telemóvel na mão a tocar, olhei demoradamente para todos um a um, que olhavam para mim com espanto, e disse-lhes:

- Não me digam que não conseguem conversar com este barulho…! Eu também não consigo estudar com a vossa conversa!

Desculparam-se e eu fui sentar-me. Mantiveram-se calados uns 10 minutos, depois recomeçaram. Levantei-me e procurei outra sala, que a biblioteca em causa é grande, felizmente.

Comments:
Uma chamada de atenção feita com muita diplomacia! :-)
Beijos
 
Em Roma sê romano.O saber-se estar é muito bonito e...nem toda a gente o sabe!
 
O meu telemovel é arcaico: não tem melodias.
Em alternativa, perguntaria eu "Desculpem, para aproveitar o tempo, e já que não consigo estudar, posso estar aqui à conversa convosco?"
 
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24.10.06

A impunidade mais perto do fim 


Nos primeiros 22 dias deste mês – 3 semanas – já morreram 86 soldados americanos no Iraque. Foram mortes escusadas, provocadas pela arrogância neo-conservadora do regime ditatorial de Washington. Eram homens vivos enviados para continuar a invasão dum país soberano. A sua acção não era apoiada pela moral ou a ética, era gratuita e criminosa. Morreram sem glória, sem honra, como salteadores em casa alheia.

Já se vai falando muito em retirada. Não foi a lógica torpedeada, nem a moral espezinhada, nem os direitos dos povos escarnecidos, nem a evidência da matança gratuita provocada pelos invasores, nem a veemência do coro de protestos internacionais, que está a fazer inflectir as, até há pouco, «firmes» intenções de continuar o crime, contra tudo e todos. É a derrota militar que os invasores estão a sofrer – a única linguagem que entendem.

Falam em «saída honrosa». Como se tivesse sido honrosa alguma parte da invasão. Não foi honrosa a entrada, não foi honrosa a estada. Se a derrota for muito desonrosa talvez sirva de vacina para futuros apetites ditatoriais. Talvez os cidadãos americanos ganhem consciência democrática para com os outros povos e criem mecanismos que impeçam a pandilha no poder de atacar os outros povos como animais de caça. Nas últimas décadas, os Estados Unidos fizeram a guerra a 27 países. Não respeitam as opções políticas de ninguém. Espezinham os mais elementares direitos humanos e as convenções internacionais. São, provavelmente, o maior perigo para a paz no Mundo.

É preciso que o país e os seus responsáveis sejam responsabilizados moral, judicial e economicamente pelas destruições perpetradas. Bush, Cheney, Rumsfeld e outros devem ser julgados e claramente responsabilizados, para que todo o Mundo sinta que ainda existe ética no Ocidente. Os Estados Unidos e outros devem ser obrigados a indemnizações de guerra, nomeadamente à reconstrução do Iraque, para que o Mundo sinta que a impunidade não é uma prerrogativa do Ocidente e a reconciliação seja possível.

22.10.06

Best of... Agosto de 2005 

Deco em Espanha ;)

Ferdinand Preiss, Balancing, 1930>

Em Salamanca existe um museu de Arte Nova e Arte Deco que vale a pena visitar pelo seu extenso acervo. Embora Salamanca seja uma cidade importante, não deixa de causar admiração um museu tão específico na província.
Fico a pensar se museus especializados, mas bem recheados e representativos da área que expõem, não serão opções interessantes para cidades portuguesas de província e não atrairão mais visitantes que os habituais museus de arte antiga e sacra. Em Salamanca, a afluência era grande. A não ser que seja uma fatalidade o que diz a publicidade institucional: que, a nível mundial, os museus têm mais público que o futebol, mas não em Portugal.
Cabe aqui citar os esforços de carolas e entidades que com maior ou menor êxito têm tentado a descentralização: Bienal de Cerveira, Museu do Pão em Seia, Museu Malhoa – «do naturalismo nacional» – nas Caldas, futuro museu de Arte Contemporânea em Castelo Branco. Que sei eu?


20.10.06

«Aprender é viver melhor» 


Ontem, assisti à abertura solene do ano lectivo da Universidade Sénior de Almada que decorreu no novo teatro da cidade. Esta realização da Associação de Professores do Concelho de Almada é uma universidade vocacionada para a aprendizagem ao longo da vida, mesmo quando essa vida já vai bem avançada. Fiquei a saber que é frequentada por 600 alunos (!), que tem 80 cursos (!) ministrados por 80 professores (!) em regime de voluntariado (!). As matérias versadas distribuem-se pelas áreas das Línguas e literaturas, Ciências sociais, Ciências Exactas, Técnicas de informação e comunicação, Artes do espectáculo, Música, Movimento e saúde e Ateliers de artes. As aulas são dadas em salas que as Escolas Secundárias conseguem disponibilizar.
Pode-se dizer que em Almada há muitos velhos que não temem pedir meças a muitos novos e que a solidariedade não é uma palavra vã. Sabe bem saber.

Comments:
Estiveste na abertura da minha Universidade!!! E eu que não pude ir ... Mas ando lá desde o primeiro ano. Ocupo um pouco o tempo (q agora é pouco ... mas ainda lá continuo) e pelo que vejo e sei, há um monte de gente interessada a frequentar as variadas aulas que por lá se ministram. No primeiro ano q lá andei tive uma colega a Italiano que era a aluna mais velha da Universidade. Setenta e tais anos. Em contrapartida, o ano passado, tive um colega que devia ter cerca de 25 anos.
Acho q esta ideia das Universidades Sénior é óptima pois faz sair de casa e motivar uma população que, caso contrário estaria confinada à sua solidão.
Beijos.
 
Agradeço a visita, os gostos de cada um são "complexos" e não nos podemos sentir agradados com tudo. Tenho gostado do fundo dos meus posts mas respeito a opinião de que alguns provocam "ruído de comunicação".
Aproveito a oportunidade para fazer também uma "reclamação". Referindo-me apenas ao link que a mim respeita, nunca gostei do "ruído" que me faz o "Entreposts," não obstante a opção "assimétrica".
Abraço.
 
Saudações universais!!!
 
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18.10.06

Best of… Julho de 2005 (7.7.05) 


Poucas esperanças

Aconteceu hoje o 7 de Julho em Londres e as baboseiras enchem os televisores. Todos condenam, mas alguns sentem-se intimamente satisfeitos por o tubarão imperialista ter sido atingido numa barbatana.
Outros persistem nas declarações bélicas de «We shall prevail», sabendo que não conseguem eliminar a ameaça terrorista. Parecem querer acreditar que conseguem eliminar um fluxo crescente de decididos combatentes que dispõem duma ideologia que vai buscar forças à religião, lembrando talvez o micro êxito sobre o micro grupúsculo da luta armada alemã – os Baader-Meinhof.
Outros ainda, vendo as barbas do vizinho a arder, vão pôr as barbas de molho – reforçam hoje as medidas de segurança. Andam a reinar connosco. Fingem que nos defendem, mas sabem que não o podem fazer. As medidas que tomam não nos defendem, são poeira para os olhos. São incompetentes para nos defender e deviam ter a hombridade de nos dizer isso. Tratam-nos como menores, não nos mostram as imagens, escondem-nos os aspectos desagradáveis. Dão muitos nomes eufemísticos a esta censura, mas não passa disso. Temos em Portugal uma larga tradição nesse campo. Antes do 25 de Abril, não se noticiavam os suicídios. Alguém podia pensar, quiçá, que este não era o melhor dos mundos…

Estou sem pachorra.

Hoje a morte atingiu-nos, atingiu os nossos, os europeus. Acordámos sobressaltados. Habitualmente costumamos cabecear sobre as notícias dos 30 mortos por dia no Iraque. Será que podemos esperar ter uma História separada do resto do Mundo? Ou temos que querer paz também na casa dos outros, em vez de lhes levarmos a guerra?
Quem foi mais sensato, o presidente dos Estados Unidos que mandou lançar bombas atómicas sobre o Japão em oposição aos cientistas atómicos ou o «presidente» do Japão que ordenou a capitulação, em oposição aos seus chefes militares? Ou os beligerantes foram igualmente incompetentes para encontrar uma solução negociada? Esta «bomba atómica» que continuamente lançamos sobre certos países, matando milhares e milhares de pessoas, não conseguiu a capitulação, nem é credível que a consiga. O alvo é difuso, está misturado com as forças «amigas». E, de vez em quando, um kamikaze cai-nos em cima.
Não vou à bola com o troca-tintas do Bochechas mas, neste campo, tenho que reconhecer que foi uma das vozes mais corajosas e clarividentes. Esta guerra que fazemos e sofremos não pode ter uma solução senão pela negociação. E, não nos enganemos, eles, o inimigo, têm algumas fundadas razões de queixa, tantas ou mais que nós temos deles. Enquanto não o reconhecermos e lhes chamarmos apenas terroristas, a paz não está à vista.

Comments:
Por outro lado, enquanto a França interditou o uso de veu islâmico nas instituições escolares públicas, agora foi a Itália a proibilirem as mulheres islâmicas a circularem na rua de cara coberta.
Dizia um qualquer politico italiano a esse propósito: "Bem, sabem, esse não é um costume nosso, não encaixa na nossa civilização!"
De certeza que não é aos tiros e à pedrada aos vizinhos que podemos sair em à rua!
 
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16.10.06

Citação 


«À escola cabe a tarefa de orientar a sociedade no sentido que permita o desenvolvimento do indivíduo, contra a supremacia de interesses económicos desligados da preocupação social (os tais que pretendem impor o mercado de trabalho à escola, e o impõem aos governantes através dos seus lobbies), que privilegiam o bem-estar de alguns e consideram ainda a maioria dos cidadãos, tanto tempo depois de Marx, como força de trabalho que não acede à personalidade efectiva nem ao sentimento consciente de ser. Ou que acede a formas fictícias e manipuladas desse sentimento, modelizadas pela publicidade e pela opinião, que são também muitas vezes resultado desse modelo.»

Maria Alzira Seixo

Comments:
Por isso mesmo todos a querem "orientar".
Um abraço. Augusto
 
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9.10.06

Elogio da vanguarda 


A biblioteca municipal de Odivelas passou a estar aberta até à meia-noite! Além do razoavelmente extenso espaço de livros dividido por áreas temáticas, dispõe duma zona mais leve com jornais, computadores e bar. De dia tem outras áreas abertas, como uma de multimédia.
Eu não sei se esta iniciativa vai ter êxito, ou não. A ver vamos. As condições estão criadas, assim os cidadãos adiram. Creio que os estudantes já estão a aderir. De qualquer modo é de assinalar e de aplaudir.

Outro tanto é desejável para a Biblioteca de Arte da Gulbenkian, ou pelo menos um horário alargado até às 20 horas, porque o horário até às 17,30 h., que actualmente pratica, é manifestamente curto e quase incompreensível. Sem prejuízo do reconhecimento do serviço impagável que já presta, como melhor biblioteca de arte do país.

Comments:
A ideia é óptima, mas já existe há muito tempo. A biblioteca municipal de Pedroços, perto de Belém, nos meus tempos de rapaz, mantinha-se aberta à noite, e lembro-me que era muito frequentada, sobretudo por pessoas, que depois de jantarem lá se deslocavam para levantar livros para lerem em casa. Também o número dos que preferiam ler lá, era muito interessante. Tempos mais calmos, onde a leitura marcava o seu lugar.
Um abraço. Augusto
 
Não sabia. Pensei que esta experiência fosse pioneira.
É óptimo que já se saiba que é útil e dá resultado.
Abraço.
 
Viva quem faz!
 
A de Almada devis seguir-lhe o exemplo. Fecha às 6 o q não dá hipótese a quem trabalha de a frequentar.
Beijos
 
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5.10.06

Bem vinda, intrusa! 


Segundo ouvi ontem, a música não dizia nada a Sócrates nem a Leonardo da Vinci e causava mesmo náuseas a Freud.

Como é possível? Isto, digo eu, que há tempos me afloraram lágrimas aos olhos pelo banal facto de escutar uma banda filarmónica a tocar aberturas de óperas no jardim municipal do Luso. Em mim, a música entra sem pedir licença e faz estragos emocionais, apesar duma pretendida postura cerebral.

É certo que, a juntar à melodia, recebida ao vivo com todos os fortes e os pianos, vi um colectivo de várias idades a produzir algo muito belo em equipa, desde as jovens, na suas graças feminis, compenetradas na execução de flauta ou clarinete, ao jovem, que se calhar acumula com uma banda de rock de garagem, ao chefe de família que se afastou de casa ou da tasca para gastar a tarde de domingo a manobrar um instrumento de deleite espiritual para desconhecidos. E isso conforta e emociona.

Comments:
Por vezes, no meu poiso favorito do Jardim da Estrela, a uns escassos 20 metros do coreto, e quando não tenho "clientes" para a minha "à-lá-minuta", quase que oiço o que de sob aquele tecto ainda bem conservado foi tocado.
 
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3.10.06

Colecção Rau – agora 

Lucas Cranach, Judite, 1525.


Termina já dia 15 a exposição De Fra Angélico a Bonnard que está, desde Maio, no Museu de Arte Antiga e tem sido um êxito de afluência, apesar do preço de 5 euros. Conta com 95 obras de pintura da vasta colecção de Gustav Rau, um coleccionador que escolhia ele próprio as obras a adquirir apoiando-se no seu gosto próprio e não em conselhos de connoisseurs. É considerada a 2ª mais importante colecção privada do mundo, a seguir à Thyssen.

Rau foi um filantropo que criou uma fundação contra a pobreza no terceiro mundo, construindo mesmo, em 1977, um hospital na fronteira entre o Zaire e o Ruanda onde eram atendidos 2000 doentes por ano e onde eram fornecidas refeições a 8000 pessoas por dia, onde ele também ajudava, como especialista em medicina tropical e pediatria, vindo ao primeiro mundo 3 vezes por ano para adquirir obras de arte que acumulava na Suiça. Pela concretização desse hospital abdicou de criar um museu em Marselha.

A sua colecção avaliada em 470 milhões de euros foi doada à Unicef em 1999, tendo como disposição testamentária a obrigatoriedade de correr mundo durante 25 anos. A primeira exposição foi realizada no Musée de Luxembourg em Paris e teve 300.000 visitantes!!

aqui uma amostra da exposição, mas é bom lembrar que não se compara ver uma obra no computador ou vê-la ao vivo. E nem sequer é sempre uma questão de escala. A obra ao vivo «fala connosco».


1.10.06

Jantar de blogs 


Os poucos blogueiros que compareceram não tiveram muita sorte. Começaram por cair no meio de 3 jantares de aniversário e depois foram envolvidos por uma onda de loquacidade monopolizadora galopante. Um massacre!

«Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!»...

Comments:
:-) Que intolerância !!!
Beijosssss
 
Desculpa lá, perplexo, certos monoplismos são já razoavelmente conhecidos, e não se pode levar a mal. Da minha parte, peço também desculpa se monopolizei um pouco. O local e o barulho não permitiram fazer o que seria desejável, ir dando a palavra a todos quantos quisessem intervir, tendo-se instalado um certo solilóquio. Mas estarei presente em próximos encontros, não dei o tempo por mal empregue.
Abraços, gostei da tua balada da água no estado sólido cristalizado.
 
Será que falei mais do que devia?
Prometo no próximo não falar tanto, é mesmo um sacrifício, pois o que mais gosto é de conversar.
Um abraço. Augusto
 
Já fiz um up-grade do sistema: aumentei a capacidade de memória temporária, de modo a processar qualquer sobrecarga de informação, e substituí os balanceadores de ruído ambiente. Por precaução, dei-lhes uma carga de silêncio total durante 3 dias. Já estou pronto para outro jantar de blogs. :))
 
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