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12.3.04

«A guerra só sobrevém quando a diplomacia falha» (4a)

É muito melindroso tocar neste assunto agora, mas convém não iludir os sinais disponíveis.
Há uma guerra em curso.
Ambos os campos querem infligir golpes devastadores ao adversário.
Os campos escolhem as formas de batalha que mais lhes convêm.
Os estados usam exércitos, bombardeamentos aéreos, armas sofisticadas e ocupação de espaços.
Os grupos usam a guerrilha, o ataque inesperado, a sabotagem, a bomba e o atentado suicida.
Não adianta chamar-lhe cobarde – o terrorismo da bomba é uma forma que a batalha pode tomar. É acessível à pequena célula quase individual.
Apesar das declarações de guerra justa dos campos, na prática as vítimas são quase sempre inocentes imolados no altar do pragmatismo da guerra.

Mesmo que o governo espanhol esteja convencido que não foi a ETA, convém-lhe dizê-lo: pode exacerbar a guerra contra ela e evitar as críticas pela colagem aos americanos.
Há uma probabilidade superior a 50% que Portugal nos próximos anos seja atacado dalguma maneira, pela mesma colagem aos americanos.

Vivemos tempos perigosos, mas convém relativizar.
Todos os dias corremos riscos, mas a alguns deles convém não dar importância, como o risco de nos cair um vaso ou um tijolo na cabeça, caso contrário viveríamos aterrorizados o tempo todo.
Em 2001 houve em Portugal 60000 acidentes automóveis com mortos e feridos. E não é por isso que as pessoas deixam de sair de casa e de andar de carro.
No 11 de Setembro morreram cerca de 4000 nova-iorquinos, numa população de cerca de 17 milhões. Ou seja 1 em cada 4250. Em Madrid, 1 em cada 28000. Contando os feridos, houve um sinistrado em cada 3800 madrilenos.
Continua a ser mais provável ter um acidente de automóvel ou uma doença cardiovascular que ser vítima dum atentado.

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