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18.3.04

Jogo e superstição (10)

Há uma variedade de abafa em que se distribui a cada jogador apenas 3 cartas. Como é evidente é muito mais arriscado, porque o jogador disporá na melhor das hipóteses (3 ases) de apenas 73% de probabilidade vencedora.
Em quase todos os jogos de cartas é necessário ir «contando» as cartas. No abafa e quejandos, é quase só o que o jogador pode fazer. Além duma óbvia prudência, quase não há «mestria» do jogador. Noutros jogos como a lerpa e sobretudo o poker, além dum factor «sorte» consubstanciado na qualidade do jogo recebido e que a prazo se equivalerá, há sobretudo um complexo jogo psicológico e de conjugação das informações que se vão recebendo, da maneira como os outros jogadores estão a reagir. O bluff é o supra-sumo do jogo extra-cartas.
Cabe aqui referir os jogadores que insistem em jogadas irrealistas, que se irritam com o «azar» e ficam abatidos com a «falta de sorte». Levantam as mãos ao céu, sentem que Deus não gosta deles e vão tentando apostas difíceis como que a verificar quando é que Deus já se compadeceu deles. Além disso empreendem todo um ritual de troca de lugares, voltas à cadeira, gesticulações várias, apostas «no escuro». Impacientes, vão a jogo mesmo sem boas possibilidades. Eufóricos, se calha ganharem algumas vezes, exageram no risco.
Um jogador descontrolado é o melhor fornecedor de fundos aos outros.

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