Situações dessas, nos mais variados ramos da actividade humana, são mais frequentes do que geralmente admitimos e o preço que se paga pode ser pesado. Aquela atitude mental está muito difundida e tão arreigada, que apresenta a resistência duma crença. O crente continua renitente mesmo após verificar matemática ou experimentalmente que estava enganado.
Como é que a probabilidade pode tender para 50% se não saírem mais vezes, coroa? Cada lançamento é um acontecimento isolado dos anteriores. Poderão ou não sair coroas nos lançamentos seguintes. Chegam a registar-se séries de mais de 20 caras ou coroas seguidas e nada nos garante que não se possam registar séries mais longas. Mesmo que a diferença entre caras e coroas nunca baixe e cresça por exemplo para 40, quando tiverem saído 10040 caras, terão saído 10000 coroas e a percentagem será então de 50,1% e 49,9%, respectivamente. Experiências do século XVIII deram resultados em que o desvio da média baixava à medida que o número de lançamentos crescia: 50,7% em 4000 lançamentos; 50,16% em 12000; 50,05% em 24000.
Pode-se afirmar que é muito mais seguro apostar que ao fim de 20000 lançamentos a probabilidade verificada se situe entre 49 e 51%, que apostar que o próximo lançamento dará uma determinada face.
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