Hoje recorda-se a crucifixão de Cristo. Essa crucifixão culminou um processo rápido, possivelmente injusto e com aplicação de sevícias físicas e morais.
Agora anda por aí um filme a tentar enfatizar o sofrimento sentido pelo sentenciado. Tem que tentar com afinco, porque aquele sofrimento individual comparado com outros sofrimentos individuais da História, fica evidentemente muito aquém, quer em profundidade de dor, quer em extensão temporal dessa mesma dor. A História está repleta de esfolamentos, empalamentos, mortes pelo fogo, por desmembramento, por emparedamento, com torturas terríveis e prolongadas ou tão «só» dezenas de anos em masmorras húmidas ou em solitárias. Sem falar dos sofrimentos colectivos, por exemplo, o massacre à catanada de 800.000 pessoas, há 10 anos na zona do Ruanda.
Referir aquele sofrimento só se justifica por se tratar duma figura do «jet set da História» e não dum qualquer anónimo que constará, quando muito, como uma unidade nas estatísticas.
Se referi-lo não se justifica, enfatizá-lo é ridículo.
Stop the killings on Iraq
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